O Departamento de Saúde e Assistência Social do Ministério da Defesa – que tem assento no Conselho Nacional de Biossegurança – recomendou novas avaliações de riscos para o milho transgênico MON 863, da Monsanto, que, segundo estudo da própria empresa, causou anormalidades em órgãos internos e alterações no sangue de ratos de laboratório.

A nota, que conclui pela necessidade da ?repetição do experimento, em laboratório nacional de forma que os atores governamentais possam avaliar com maior segurança a viabilidade da aquisição do milho MON 863?, vem em resposta ao pedido de suspensão das importações feito no início de junho por 15 organizações da sociedade civil.

A importação de cinco variedades de milho da Argentina para consumo animal foi autorizada pela CTNBio, que após a medida deixou de funcionar e agora aguarda a regulamentação da Lei de Biossegurança para ser reformulada. O MON 863 não está nessa lista.

Muito milho transgênico da Argentina já entrou no País desde que foi publicada a autorização da CTNBio. O setor de estatísticas do Porto de Recife informou que entre maio e junho deste ano entraram mais de 52 mil toneladas.

Preocupações

As revelações do estudo que a Monsanto mantinha em sigilo levantaram preocupações em vários países. O professor Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, na França, e membro da Comissão de Genética Biomolecular daquele país, revisou o estudo da Monsanto e concluiu que ?o milho transgênico não poderia ser liberado para consumo humano nem animal? e que ?um experimento que produz resultados tão alarmantes deve ser necessariamente repetido?.

Além dos riscos advindos da liberação dessa variedade, não há um único caso até hoje que mostre que, uma vez liberados no ambiente para cultivo comercial ou experimentação, os transgênicos possam ser mantidos sob controle e evitar contaminações.

O exemplo mais recente dessa vulnerabilidade vem da Nova Zelândia. Lá, nenhum milho transgênico foi aprovado para plantio e as sementes importadas são testadas para se verificar a presença de transgênicos. Apesar disso, recentemente uma indústria alimentícia, em seus testes rotineiros de qualidade da matéria-prima, identificou a presença do milho modificado. Este foi o sexto incidente ocorrido no país nos últimos três anos.

Europa aprova

A assessoria da Monsanto distribuiu nota ontem informando que a Comissão Européia aprovou, em 8 de agosto, a importação, processamento e uso para alimentação animal do milho MON 863 YieldGard® Rootworm, resistente à lagarta do cartucho, uma das pragas mais destrutivas das plantações de milho no mundo inteiro, pois, ao se alimentarem de suas raízes, reduzem a habilidade da planta de absorver água e nutrientes do solo. A decisão – diz a informação da empresa – reafirma a segurança do híbrido, que já havia recebido parecer favorável da Autoridade Européia de Segurança Alimentar (EFSA – European Food Safety Authority), em 16 de abril de 2004.