O presidente da Argentina, Javier Milei, criticou o governo brasileiro na terça-feira (22) ao compartilhar um gráfico que mostra o aumento do déficit fiscal do Brasil. Déficit fiscal é quando as despesas do governo são maiores que suas receitas. Segundo o quadro, o Brasil saiu de um déficit de 4% do PIB em 2022 para 8,1% em 2025, com projeção de 9,9% para 2026. As informações são da Gazeta do Povo.

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A fonte dos dados é a consultoria Econométrica, com base em números do Tesouro Nacional e do Banco Central. O gráfico mostra que o Brasil apresenta resultado negativo desde 2011, mas vem piorando as contas públicas desde 2022. O déficit recorde foi em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando houve expansão fiscal em todo o mundo.

Milei publicou o gráfico no X horas antes do discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde ambos estavam presentes. “Os progressistas locais querem apresentar essa política fiscal como o modelo a seguir. NÃO, OBRIGADO”, escreveu o presidente argentino. Ele comparou a situação à crise econômica argentina de 2001.

Gráfico mede resultado fiscal nominal do Brasil

O gráfico ilustra o aumento do gasto público, mas usa um indicador diferente do adotado oficialmente para cálculo de resultado primário. Os números referem-se ao resultado fiscal nominal em relação ao PIB. Esse indicador considera todo o setor público, incluindo União, estados, municípios e empresas públicas, além de incluir os pagamentos líquidos de juros da dívida pública.

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No resultado primário, os juros são excluídos. A diferença é relevante porque ajuda a revelar como o Brasil gasta com o crescimento da dívida, tanto em razão de seu montante quanto das altas taxas de juros. O gráfico também traz uma comparação implícita: diferentemente do Brasil, a Argentina deixou de ter déficit em seu resultado fiscal nominal desde 2024.

Argentina registra superávit fiscal com Milei

O governo de Javier Milei, que assumiu em dezembro de 2023, trabalha com um orçamento público que busca superávits primários grandes o suficiente para pagar os juros da dívida pública e ainda fechar as contas no azul. Em 2024, o resultado fiscal nominal foi positivo em 0,3% do PIB, e o superávit primário, de 1,8% do PIB.

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Já em 2025, os números foram de 0,2% e 1,4%, respectivamente, segundo dados do Ministério da Economia da Argentina. A referência a 2001 na publicação de Milei lembra o ano da maior crise econômica da história argentina, que ele associa com déficits fiscais persistentes que fizeram disparar a dívida pública do país.