Trabalhadores cruzaram os braços ontem pela manhã.

As linhas de produção da Renault/Nissan, em São José dos Pinhais, pararam ontem pela manhã durante mais de três horas. Com isso, cerca de 120 veículos deixaram de ser fabricados – mais de um terço da média diária de 340 unidades que a montadora produz. A decisão da paralisação foi tomada em assembléia realizada de madrugada pelos metalúrgicos, antes do início do turno (6h), com a participação de 1,2 mil pessoas. O motivo alegado é a demora da empresa na definição do reajuste salarial. Por volta das 8h, quando chegaram para trabalhar, os funcionários da área administrativa também se engajaram na manifestação. Somente às 9h30 todos os setores haviam iniciado as atividades, informou a assessoria de imprensa da Renault.

Segundo a montadora, 2,2 mil dos 2,7 mil trabalhadores aderiram à paralisação, que atingiu as unidades de veículos leves, utilitários, fábrica de motores e escritórios. Na produção, o turno único acaba às 14h40. Na administração, a jornada começa mais tarde e se estende até 17h30. De acordo com a assessoria, a direção da Renault está aberta a negociações.

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba reivindica reposição salarial de 14,61% das montadoras, para repor as perdas inflacionárias acumuladas desde setembro de 2002, data da última data-base da categoria. Ontem, houve novas rodadas de negociações entre sindicalistas e as montadoras, mas as propostas patronais não avançaram. Inicialmente, a Renault/Nissan ofereceu um abono de R$ 360, pago em três parcelas, somente para os funcionários da linha de montagem. Os trabalhadores reivindicam, no mínimo, a extensão do benefício para o pessoal administrativo. A Volkswagen/Audi sugeriu um empréstimo de R$ 80 mensais até setembro, quando seria descontado o valor antecipado. A Volvo propôs um abono de R$ 400 aos trabalhadores.

“As montadoras do Paraná estão seguindo orientação das unidades nacionais que não estão propondo nenhum índice de reajuste, apenas compensações em forma de abono. Mas isso não ajuda”, declarou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka. Ele não descarta uma greve geral se não houver acordo com as empresas. Novas reuniões com as montadoras ocorrerão hoje. Caso o impasse persista, serão feitas assembléias na terça-feira (22) para votar a proposta de paralisação por tempo indeterminado na Renault/Nissan, às 5h30, na Volvo, às 7h30, e na Volks/Audi e no PIC (Parque Industrial de Curitiba), no início da tarde.

As negociações com as montadoras e o PIC, formado por 14 fornecedoras da Volkswagen/Audi, envolvem cerca de dez mil trabalhadores, entre produção e área administrativa. O sindicato calcula que a reposição integral da inflação acresceria de R$ 35 milhões a R$ 50 milhões nas folhas de pagamento das empresas.