Rio – O banco de investimento Merrill Lynch está mais otimista em relação às perspectivas da economia brasileira e elevou de 3,1% para 3,3% a perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2004. Isso será possível pela perspectiva de uma redução mais expressiva nas taxas de juros, com a taxa Selic (referencial de custos para os títulos públicos) caindo de 20,5% para 18,5% ao ano em 2003 e para 15,5% em 2004.
“O ano de 2003 foi muito ruim, mas parece que o fundo do poço ficou para trás”, disse David Beker, economista da Merrill Lynch para a América Latina. Na avaliação do economista, a política macroeconômica tem apresentado bons resultados, reduzindo as incertezas dos investidores.
Além disso, a economia está apresentando bons resultados com o déficit em conta corrente, por exemplo, atingindo apenas 0,3% este ano, quando estava acima de 4% há apenas dois anos. Para 2004, Beker prevê déficit em conta corrente em torno de 1 2% do PIB, devido à retomada do crescimento, mas ainda assim “numa posição muito confortável”, observou.
No relatório encaminhado aos seus clientes, a Merrill Lynch ressalva que a melhora dos indicadores ainda não se refletiu nos indicadores conjunturais. O economista está prevendo que os investimentos estrangeiros diretos devem retornar em 2004. Ele está projetando ingressos de US$ 15 bilhões, frente aos US$ 10 bilhões previstos para este ano.
A Merrill Lynch está mais otimista do que a média do mercado, que projeta investimentos diretos de US$ 8,5 bilhões este ano e US$ 12 bilhões em 2004, conforme a pesquisa mais recente realizada pelo Banco Central (BC) e divulgada ontem.
Beker acredita que os investidores estrangeiros ficarão mais animados se o governo explicitar o papel das agências reguladoras e o chamado arcabouço do marco regulatório, que regulamenta a atuação do governo sobre as empresas. “Os fatores macros estão se resolvendo de forma bastante satisfatória. Agora só faltam esclarecimentos sobre alguns pontos pendentes”, comentou o analista da Merrill Lynch.


