O presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO para América Latina, Phillip Schiemer, disse nesta terça-feira, 28, em evento no Insper, que, se ocorrer uma abertura do mercado automotivo com redução de alíquotas de importações, como sugere relatório do Banco Mundial, quase todas as indústrias fecharão.

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Para ele, um dos problemas da indústria automotiva e que pesa muito nas decisões é não saber o que vai acontecer amanhã. “Amanhã vamos abrir o País, ótimo. E daqui a dois anos, vamos fechar o País de novo? Então o maior problema do Brasil para a indústria automobilística é a falta de previsibilidade das coisas”, disse.

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A indústria, de acordo com o presidente da Mercedes, precisa de uma previsão do que vai acontecer nos próximos 20 ou 30 anos. “Os ciclos de investimentos, e eu represento uma base maior porque para automóveis se fala de cinco a sete anos e caminhões e ônibus de 15 anos. Então precisamos de uma previsibilidade”, disse.

“Então sem dúvida que, se amanhã abrirmos o mercado, podem se fechar quase todas as indústrias aqui. Aí, o problema é da indústria? Não é, porque, se eu olho a nossa indústria, a nossa fábrica por dentro, as coisas estão funcionando bem. A questão é o quanto estamos competitivos como país e como podíamos trabalhar aqui”, reclamou o executivo.

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De acordo com Schiemer, a indústria vai acompanhar e participar desta discussão. “Mas não podemos achar que daqui a seis meses pode mudar todo o nosso modelo”, disse. Sobre a retirada do Inovar-Auto, ele sugeriu que a saída deveria ser gradual.

Nesse ponto, o assessor especial do Ministério da Fazenda para reforma microeconômica, João Manoel de Pinho Mello, discordou do presidente da Mercedes. De acordo com ele, o governo gostaria de transitar com suavidade, mas infelizmente terá que “trocar o pneu” com o carro andando. O assessor lembrou que o Inovar-Auto foi considerado ilegal pela OMC.