As previsões para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano recuaram de 7,20% para 7,16% em pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) com um grupo de aproximadamente 100 instituições financeiras. A queda veio, de acordo com os dados divulgados ontem pelo BC em seu site na internet, depois de 13 semanas consecutivas de alta das projeções. O recuo surpreendeu por ter ocorrido exatamente numa semana marcada pela alta a níveis históricos do preço do petróleo no mercado internacional. O aumento costuma provocar temores quanto ao comportamento dos preços internos por causa da possibilidade de repasse aos combustíveis no País.

O economista Juan Jensen, da Consultoria Tendências, explicou, no entanto, que a queda das projeções de IPCA para este ano decorreu apenas de um ajuste metodológico. “O recuo de 7,20% para 7,16% deveu-se ao fato de a inflação ocorrida em julho (0,91%) ter ficado abaixo das expectativas (0,95%).”

O analista explicou que outro ajuste metodológico provocou a redução das estimativas de IPCA em 12 meses à frente de 6,40% para 6,18%. “Como na quarta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o IPCA de julho, as expectativas em 12 meses, que incorporavam a inflação de julho de 2004 a junho de 2005, passaram a incorporar o período de agosto de 2004 a julho de 2005”, disse. Com a mudança, as projeções passaram a contar com uma estimativa de IPCA de 0,70% em julho do próximo ano, em substituição à previsão 0,95% para julho deste ano.

Os sinais de recuo nas estimativas de inflação, entretanto, não foram suficientes para levar os bancos ouvidos pelo BC a alterar as previsões de manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 16% ao ano até dezembro. As expectativas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana também não se alteraram e continuaram a apontar para a manutenção da Selic. As previsões para o final de 2005, no entanto, mudaram e passaram dos 14,25% da semana passada para 14,75%. Com a alteração, o espaço de queda das taxas no próximo ano foi encurtado de 1,75 para 1,25 ponto porcentual. A alteração ocorreu mesmo com a manutenção das projeções de IPCA para 2005 em 5,5% pela oitava semana consecutiva.

A pesquisa ainda identificou uma elevação das estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano de 3,79% para 3,92%. A mudança ocorreu na mesma semana em que foram divulgadas notícias sobre uma provável elevação das estimativas de crescimento do PIB pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para 2005, as projeções de crescimento ficaram estáveis em 3,50% pela décima terceira semana consecutiva.

As estimativas de crescimento da produção industrial, por sua vez, passaram de 5,76% para 5,95%, enquanto as previsões para 2005 aumentaram de 4,02% para 4,07%. Mesmo com o aumento das estimativas de crescimento para este ano, as projeções de superávit da balança comercial aumentaram de US$ 29,70 bilhões para US$ 30 bilhões e as de superávit em conta corrente passaram de US$ 6,40 bilhões para US$ 6,80 bilhões.

Fiesp acha que subir juro será “insanidade”

A possibilidade de o Banco Central elevar a taxa básica de juros neste ano como alternativa para conter a inflação é classificada como gesto de “insanidade” pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne a partir de hoje para discutir o futuro dos juros. A maioria aposta em manutenção da taxa nos atuais 16% ao ano – o último corte foi em abril.

Mas uma eventual alta dos juros neste ano não é descartada pelo mercado financeiro. O motivo seriam as pressões provocadas pela alta do petróleo no mercado internacional e pelos aumentos das tarifas de energia elétrica e telefonia autorizadas pelo governo.

“Acho que o juro não vai subir. Claro que o mercado financeiro quer manter a taxa onde está, mas subir os juros neste momento seria uma demonstração explícita de insanidade”, disse o diretor do departamento de pesquisas econômicas da Fiesp, Cláudio Vaz.

Sinalização

O mercado financeiro começou a cogitar sobre uma eventual alta dos juros no mês passado, após a divulgação da última ata do Copom para justificar a decisão de manutenção da taxa em julho.

O BC afirmou que não descartaria adotar uma postura “mais ativa” em relação aos juros caso identificasse risco de maior pressão inflacionária. Esse “mais ativo” foi interpretado como “possível aumento do juro” pelos analistas.

Ontem, o relatório Focus – que coleta projeções de diversas instituições – informou que o mercado revisou para baixo, pela primeira vez em mais de três meses, a expectativa para a inflação.

A projeção do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), usado para balizar a meta de inflação do governo, caiu para 7,16% neste ano. Na semana passada, os analistas previam taxa de 7,20%.