O mercado financeiro reduziu a estimativa para o IPCA em 2012, de 5,28% para 5,27%, na pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC). Esse é o primeiro levantamento realizado após a divulgação, na semana passada, do Relatório Trimestral de Inflação. Apesar do recuo observado nesta pesquisa, analistas preveem inflação maior que a esperada há um mês, quando a estimativa estava em 5,24%.

Para 2013, foi mantida a estimativa de alta do IPCA, em 5,50%, pela terceira semana seguida. Quatro semanas antes, a projeção para o indicador estava em 5,20%.

A projeção suavizada para o IPCA nos próximos 12 meses acompanhou o movimento observado para 2012 e a mediana caiu de 5,41% para 5,40%. Mesmo com o recuo, o número previsto na pesquisa divulgada hoje está acima do estimado há um mês, quando o mercado esperava alta de 5,31%.

No grupo dos analistas que mais acertam as projeções na pesquisa do BC, o chamado top 5, a expectativa para o IPCA em 2012 no cenário de médio prazo caiu de 5,30% para 5,27%. Para 2013, esses analistas mantiveram a previsão em 5,10%. Quatro pesquisas antes, o grupo previa IPCA de 5,12% em 2012 e de 5,02% em 2013.

Entre todos os analistas ouvidos pelo BC, a mediana das previsões para o IPCA em março recuou de 0,45% para 0,43%. O IBGE divulga nesta quinta-feira, dia 5, o resultado efetivo do IPCA no mês passado. Para abril, analistas mantiveram a estimativa de alta de 0,50% para o indicador oficial de inflação no País. Há um mês, o mercado esperava inflação de 0,45% em março e de 0,49% neste mês.

PIB

Nova rodada de piora das previsões para o crescimento da economia brasileira na pesquisa Focus. No levantamento divulgado nesta segunda-feira, a expectativa dos analistas do mercado financeiro para o crescimento da economia brasileira em 2012 recuou de 3,23% para 3,20%, na segunda queda consecutiva. Para 2013, a projeção caiu de 4,29% para 4,20%. Um mês antes, as estimativas eram de expansão de 3,30% neste ano e de 4,15% no próximo ano.

Em igual tendência, a mediana das expectativas para o avanço da produção industrial em 2012 foi cortada de 2,03% de 2%. Quatro semanas antes, economistas trabalhavam com expansão do setor em 2,77%. Para 2013, a expectativa de avanço da indústria seguiu em 4%, ante alta de 4,20% um mês antes.

Analistas aumentaram ainda a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2012, de 36,20% para 36,50%. Para 2013, a projeção foi mantida em 35%. Há quatro semanas, as projeções estavam em, respectivamente, 36% e 34,60% do PIB para cada um dos dois anos.

IGP-DI

Analistas diminuíram a previsão de alta para o IGPs em 2013 na primeira pesquisa Focus realizada pelo Banco Central após a divulgação, na semana passada, do Relatório Trimestral de Inflação. No levantamento divulgado nesta segunda-feira, a aposta para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) no próximo ano caiu de 4,98% para 4,90%. Para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que corrige a maioria dos contratos de aluguel, a estimativa de alta recuou de 4,95% para 4,93%. Há quatro semanas, a previsão de inflação em 2013 era, respectivamente, de 4,90% no IGP-DI e de 4,95% no IGP-M.

Para 2012, a expectativa para o IGP-DI seguiu em 4,88%. No caso do IGP-M, a projeção para este ano avançou mais uma vez, de 4,64% para 4,66%, na quarta alta seguida. Quatro semanas atrás, analistas apostavam em elevação de 4,63% para o IGP-DI e de 4,47% para o IGP-M em 2012.

A pesquisa também mostrou que a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), para 2012, voltou a subir e passou de 4,59% para 4,61%. Há um mês, a expectativa dos analistas era de alta de 5,02% para o índice que mede a inflação ao consumidor em São Paulo. Para 2013, a mediana das estimativas para o IPC da Fipe recuou de 4,85% para 4,83%, mesmo valor estimado há quatro semanas.

Economistas reduziram ainda a estimativa para o aumento do conjunto dos preços administrados – as tarifas públicas – em 2012 de 4% para 3,95%, na primeira oscilação após nove semanas de estabilidade em 4%. Para 2013, a previsão de alta dos preços administrados manteve-se em 4,50% pela 112ª pesquisa consecutiva.

Câmbio

Analistas do mercado financeiro voltaram a elevar a previsão para o patamar do dólar no fim do ano. A pesquisa Focus mostra que a mediana das estimativas para o preço da moeda estrangeira no fim de 2012 subiu de R$ 1,76 para R$ 1,77, na segunda alta seguida. Para o fim de 2013, foi mantida a expectativa de taxa de câmbio em R$ 1,80. Há um mês, analistas previam dólar a R$ 1,75 no fim de 2012 e no encerramento de 2013.

Na mesma pesquisa, o mercado financeiro manteve a previsão de que a taxa média de câmbio seguirá em R$ 1,77 em 2012. Para o próximo ano, foi mantida a estimativa de que o dólar médio será de R$ 1,78. Há um mês, a pesquisa apontava que a expectativa de dólar médio estava em R$ 1,73 para 2012 e em R$ 1,75 em 2013.

Transações correntes

O mercado financeiro manteve a previsão de déficit em transações correntes do Brasil em 2012. A pesquisa semanal Focus mostra que a mediana das expectativas de saldo negativo na conta corrente neste ano seguiu em US$ 69 bilhões, ante rombo esperado de US$ 67,80 bilhões previstos há um mês. Para 2013, a previsão de déficit nas contas externas aumentou de US$ 70 bilhões para US$ 70,50 bilhões, na primeira mudança do número previsto após 31 semanas seguidas sem alteração.

Na mesma pesquisa, economistas mantiveram a estimativa de superávit comercial em US$ 19 bilhões em 2012 e em US$ 15 bilhões em 2013, exatamente os mesmo números previstos, para cada um dos períodos, um mês antes.

A pesquisa mostrou ainda que as estimativas para o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED), aquele voltado ao setor produtivo, em 2012 aumentaram de US$ 55 bilhões para US$ 55,37 bilhões, a primeira oscilação após 13 semanas sem mudança. Para 2013, a expectativa de ingresso de IED seguiu em US$ 55 bilhões, ante US$ 57,71 bilhões esperados um mês antes.

Juros

O mercado financeiro não alterou as previsões para o comportamento do juro na primeira pesquisa Focus. O levantamento mostra que analistas mantiveram a previsão de que o ciclo de afrouxo monetário deve acabar na próxima reunião, em 17 e 18 de abril. Para a reunião deste mês, a mediana das expectativas para a taxa Selic seguiu em 9% ao ano – o que indica expectativa de corte de 0,75 ponto, já que atualmente o juro básico é de 9,75% ao ano.

A partir daí, economistas esperam manutenção do juro básico da economia brasileira em 9% até o fim do ano. Para 2013, analistas mantiveram aposta na volta do aumento do juro para conter a inflação, com a Selic em 10% ao fim do próximo ano, mesma previsão feita na semana passada.

Há um mês, antes do corte mais agressivo da taxa de juro de 0,75 ponto porcentual em março, o mercado esperava Selic em 9,50% no fim de 2012 e em 10,50% no fim de 2013.

A pesquisa mostra ainda manutenção das expectativas para o juro médio neste ano em 9,28%. Para 2013, foi reduzida a previsão de Selic média de 10% para 9,90%. Quatro pesquisas antes, analistas esperavam juro médio de 9,69% em 2012 e de 10,23% no ano que vem.