O mercado financeiro continua pessimista em relação à inflação de 2005. De acordo com a pesquisa semanal do Banco Central (BC), realizada com empresas de consultoria e divulgada ontem, as expectativas do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) permaneceram estáveis em 5,80% após terem registrado um recuo de 0,10 ponto percentual na semana passada. O Comitê de Política Monetária (Copom) alertou, na ata de sua última reunião, que poderia mudar o ritmo e magnitude do ajuste da política monetária se as expectativas de inflação para 2005 não revertessem o pessimismo observado nas últimas semanas.
Junto com uma eventual deterioração dos preços do petróleo no mercado internacional, essas projeções poderiam dificultar, na visão do Copom, o alcance do objetivo de IPCA em 5,1% no próximo ano. Para a nova reunião da próxima semana, as instituições financeiras ouvidas na pesquisa do BC mantiveram a aposta de uma nova alta de 0,50 ponto percentual dos juros. Desta forma, a taxa terminaria o ano em 17,75% ao ano, maior taxa desde outubro do ano passado.
As previsões de inflação para 2004 registraram ao mesmo tempo uma segunda onda de aumentos e passaram de 7,26% para 7,31%. Mesmo com a elevação, o percentual ainda está abaixo do teto de 8% da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A alta veio acompanhada de um ajuste para cima das estimativas de reajuste dos preços administrados neste ano de 9% para 9,20%.
Câmbio
Apesar da resistência das previsões de inflação, as projeções de câmbio para o fim deste e do próximo ano recuaram na pesquisa do BC. Para o final de 2004, as estimativas recuaram de R$ 2,86 para R$ 2,82. Mesmo com a queda, o valor estimado ainda é superior às cotações verificadas nos últimos dias, quando a taxa de câmbio vem variando entre R$ 2,70 e R$ 2,73. Para o fim de 2005, as previsões de taxa de câmbio foram reduzidas de R$ 3,05 para R$ 3.
As reduções dessas previsões vieram acompanhadas, ao mesmo tempo, de uma queda das projeções de dívida líquida do setor público para 2004 e 2005, que recuaram de 54,5% para 54,4% do Produto Interno Bruto (PIB) e de 54% para 53,6% do PIB, respectivamente. Quanto ao crescimento da economia este ano, as projeções de mercado subiram de 4,66% para 5%.
A alta ocorreu na mesma semana em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a expansão do PIB até o terceiro trimestre do ano estava acumulado em 5,3%. Para 2005, as previsões de expansão do PIB permaneceram em 3,50% pela sexta semana consecutiva.


