Brasília  – As instituições financeiras reduziram de 6,17% para 6,12% as suas projeções para a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) este ano, de acordo com a pesquisa semanal do Banco Central (BC) feita com um grupo de cerca de 100 bancos, financeiras e empresas de consultoria. Apesar da queda, o porcentual estimado ainda é superior aos 5,5% do centro da meta de inflação deste ano, e ainda é maior do que os 6,06% projetados há quatro semanas. A diminuição não foi suficiente, ao mesmo tempo, para impedir uma elevação das projeções de IPCA do corrente mês de 0,40% para 0,41%, porcentual maior que os 0,35% estimados há quatro semanas.

Os dois movimentos ocorreram numa semana pautada pelo aumento da volatilidade dos mercados gerado pela expectativa de aumentos dos juros nos Estados Unidos já em junho. As previsões de IPCA em 12 meses à frente contidas na mesma pesquisa recuaram por sua vez, de 5,60% para 5,53%.

Mesmo com a elevação da cotação do dólar no final da semana passada, as instituições financeiras elevaram suas projeções de câmbio para o final do corrente mês de R$ 2,92 para apenas 2,93. Apesar do aumento, as estimativas ainda ficaram muito abaixo do câmbio de R$ 3,06, negociado no final da semana passada, e dos R$ 3,15, a cotação máxima de ontem. As projeções de câmbio para o fim do ano em curso, por sua vez, ficaram estáveis em R$ 3,05 pela oitava semana consecutiva.

As expectativas de taxa média de câmbio para 2004 ficaram estáveis, na mesma pesquisa, em R$ 2,95. Para 2005, as previsões de câmbio médio subiram de R$ 3,12 para R$ 3,13. As projeções para o final do próximo ano, em contrapartida, ficaram estáveis em R$ 3,20.

Juros

A pesquisa identificou, ao mesmo tempo, uma estabilidade das projeções de juros para o final de maio e do ano. Com isso, as taxas recuariam de 16% para 15,75% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana. Feito esse corte, haveria um espaço para redução dos juros em 1,75 ponto porcentual até o final do ano, de acordo com a visão das instituições financeiras ouvidas pelo BC, permitindo que as taxas fechassem 2004 em 14%.

As previsões de juros no final de 2005, no entanto, registraram uma elevação de 12,88% para 13% ao ano, com uma projeção de corte das taxas em todo o próximo ano de apenas 1 ponto porcentual.

Superávit

O cenário externo adverso também não impediu uma melhora das previsões para o resultado da conta corrente do balanço de pagamentos neste e no próximo ano. As estimativas de superávit em conta corrente neste ano subiram, na pesquisa divulgada na manhã de hoje, de US$ 1,5 bilhão para US$ 2 bilhões. A elevação deixou a previsão ainda mais distante da projeção de US$ 200 milhões de superávit feita pelo próprio Departamento Econômico (Depec) do BC.

Para 2005, as estimativas de déficit em conta corrente recuaram de US$ 2,20 bilhões para US$ 2,10 bilhões. Os dois aumentos ocorreram a despeito da manutenção das previsões de superávit da balança comercial neste e no próximo ano em US$ 25 bilhões e US$ 22 bilhões, respectivamente.