Economia

Mercado financeiro precifica vitória de Lula e debate ajuste fiscal

Imagem mostra Lula com a bandeira do Brasil ao fundo.
Imagem mostra Lula em coletiva para a imprensa. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O mercado financeiro brasileiro já vem precificando uma possível vitória de Lula nas eleições de 2026, mesmo com a redução da vantagem do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas recentes. Desde dezembro de 2025, os juros futuros subiram e o dólar atingiu R$ 5,25 em agosto, refletindo a expectativa de continuidade da política econômica expansionista. As informações são da Gazeta do Povo.

O J.P. Morgan projetou que o dólar pode chegar a R$ 5,50 devido à volatilidade eleitoral e às incertezas fiscais. Até 13 de agosto, investidores estrangeiros retiraram R$ 16 bilhões da Bolsa brasileira. A dívida bruta do governo subiu de 71,7% do PIB no fim de 2022 para 81,9% em junho de 2026, segundo o Banco Central, com a Selic mantida em 14%.

A pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto mostrou Lula com 47% e Flávio com 43% em um eventual segundo turno, mantendo empate técnico. A redução da vantagem do petista de cinco para quatro pontos reforça a percepção de que a eleição está em aberto, aumentando a volatilidade dos ativos.

Analistas rechaçam a ideia de apoio do mercado a Lula e destacam que há diferentes interesses dentro da Faria Lima. De um lado, está o ecossistema de investimentos, que depende de juros previsíveis e estabilidade. De outro, há agentes que encontram oportunidades em cenários de juros elevados e se posicionam conforme o vencedor mais provável.

Raul Sena, CEO da AUVP, explica que gestores montam carteiras para os dois cenários possíveis. Hugo Queiroz, da L4 Capital, afirma que apenas uma pequena minoria consegue encontrar oportunidades no cenário atual, incluindo os grandes bancos comerciais que se beneficiam dos juros elevados.

Rodrigo Miotto, da Nippur Finance, diz que os bancões ganham com o spread das operações de crédito em ambiente de juros altos. Já no mundo dos investimentos, os empresários são diretamente prejudicados. O mercado de crédito privado secou e a instabilidade impede decisões sobre títulos públicos de longo prazo.

Flávio Bolsonaro apresentou na semana passada seu time econômico, com nomes ligados à agenda liberal. O programa prevê substituir o arcabouço fiscal por uma regra mais rígida vinculada à trajetória da dívida, além de corte de ministérios e cargos. Lula tem evitado o tema, mas seu entorno reúne economistas desenvolvimentistas que defendem o Estado como promotor de crescimento.

Parte do mercado trabalha com a perspectiva de que Lula seria forçado a promover ajuste fiscal no início do quarto mandato devido à deterioração econômica. Christopher Garman, da Eurasia, afirmou à Bloomberg que alguma reforma para atacar o gasto obrigatório viria se Lula vencer.

Sena questiona essa tese. O governo não deu nenhum sinal nessa direção, afirma. Queiroz concorda e diz que praticamente vinte anos de administrações do PT comprovam que não se trata de um governo austero ou fiscalmente responsável.

Thaís Zara, economista-chefe da 4intelligence, afirma que qualquer eleito terá de enfrentar despesas engessadas e forte resistência política. A dificuldade independe do próximo presidente, pois qualquer agenda de ajuste exigirá ampla negociação com o Congresso. Entre os pontos que podem entrar na negociação estão a regra de reajuste do salário mínimo, os pisos de saúde e educação e a revisão de benefícios tributários.

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