Em apenas alguns dias, o governo perdeu boa parte do ganho que vinha conquistando nos últimos anos com o alongamento da dívida pública. A venda de títulos de prazo mais curto para tentar acalmar os investidores reduz o prazo médio de rolagem dos papéis do governo, o que poderá comprometer a administração futura da dívida. Com uma concentração forte de vencimentos em determinado período, o governo perde o poder de barganha para conseguir menores preços e melhores condições. Isso pode se tornar ainda mais complicado se ocorre num período de início de mandato presidencial, quando o mercado ainda está decifrando a linha de governo.

?Se o mercado não estiver tão receptivo, o governo terá de pagar mais caro para financiar a dívida. A estratégia do governo vinha sendo justamente diluir os vencimentos para conseguir negociar melhores condições?, destaca o economista Júlio Callegari, da consultoria Tendências. Somente entre os dias 3 e 5 deste mês, o Banco Central aumentou em R$ 13,2 bilhões o total de títulos que vencem no primeiro trimestre do ano que vem. Para tentar acalmar os investidores, o BC retirou do mercado papéis que venciam entre 2004 e 2006 e, no lugar, colocou outros com prazo mais curto: entre janeiro e março de 2003.

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