A última semana de agosto tem poucos indicadores para serem anunciados, mas nem por isso deixará o mercado financeiro menos atento aos números que serão divulgados. Após a turbulência vinda do exterior – com a crise das hipotecas de alto risco nos EUA – e a confirmação de que a inflação está, em agosto, um pouco mais elevada que o previsto, os especialistas deverão continuar ansiosos por mais números que mostrem, principalmente, o comportamento de preços e as expectativas para seus medidores a poucos dias da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central – agendada para 4 e 5 de setembro.

Para a segunda-feira, existe uma grande ansiedade para saber como virá a pesquisa Focus do Banco Central. A expectativa é que o documento já deverá mostrar alterações nas projeções do mercado financeiro para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto e de 2007, após o IPCA-15 deste mês, anunciado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com elevação de 0,42%, superar bastante as estimativas dos analistas. Com a turbulência internacional e este IPCA-15 ?mais salgado?, por causa do preço dos alimentos, analistas também já cogitam redução na magnitude dos cortes da taxa básica de juros, inclusive para setembro, e não descartam uma paralisação nas quedas nos próximos encontros do Copom.

Na terça-feira a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) anunciará o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da terceira quadrissemana de agosto na capital paulista. Na segunda medição do mês, indicador subiu 0,17% ante 0,21% do primeiro levantamento. De maneira diferente dos demais índices, o IPC da Fipe está passando por um processo de alívio retardado na inflação, já que, por conta da metodologia da instituição, somente agora estão sendo captados os efeitos da redução de 12 66% na tarifa de energia elétrica, anunciada pela Eletropaulo ainda no início de julho.

No mesmo dia, o Tesouro Nacional divulgará o resultado fiscal primário do governo central, que contempla os esforços fiscais do próprio Tesouro, do Banco Central e da Previdência, referente ao mês de julho. Em junho, houve superávit primário de R$ 5,298 bilhões, ante R$ 4,689 bilhões em maio e R$ 6,072 bilhões em junho de 2006. No resultado do mês passado, o Tesouro Nacional contribuiu com superávit de R$ 8,753 bilhões, a Previdência, com déficit de R$ 3,386 bilhões, e o Banco Central, com déficit R$ 68,5 milhões.

Na quarta-feira será a vez de o Banco Central informar os dados do setor público consolidado, também de julho, que inclui os números do governo central, mais os dados dos Estados, municípios e estatais federais, por meio da Nota de Política Fiscal. No mês anterior, foi observado um superávit primário de R$ 11,647 bilhões. No acumulado do primeiro semestre, o superávit primário subiu para R$ 71,674 bilhões, o equivalente 5 90% do Produto Interno Bruto (PIB).

No mesmo dia, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informará o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) de agosto. Da mesma maneira que os indicadores de preço ao consumidor, os IGPs surpreenderam o mercado financeiro em agosto, por conta da ampliação de alta dos preços agrícolas do atacado e da confirmação dos preços industriais, também do atacado no terreno de elevações. Assim, as expectativas de grande parte dos especialistas são de que o IGP-M seja bem maior, na faixa acima de 0,50%, em sintonia com o observado na segunda prévia do indicador, que mostrou alta de 0 59% para o indicador, ante elevação de 0,27% na primeira prévia do mesmo mês e variação positiva de 0,19% na segunda parcial de julho

Estados Unidos e Europa

A próxima semana será rica em indicadores e eventos econômicos nos EUA, a começar dos dados de vendas de imóveis residenciais usados, na segunda-feira. Na terça, será divulgada a ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed. Na sexta-feira, o presidente do banco central norte-americano vai falar sobre a relação entre a situação do setor de moradias e a política monetária do Fed.

Outro indicador importante é o índice de confiança do consumidor de agosto , que a Conference Board divulga na terça-feira. Na quarta, a Mortgage Bankers Association (MBA) divulga os índices de atividade do setor de hipotecas na semana até 24 de agosto (na semana anterior, o índice composto do mercado caiu 5,5% e o índice de refinanciamento caiu 6,4%). No dia seguinte, o Departamento do Comércio divulga a primeira revisão do PIB do segundo trimestre. Na sexta-feira, o Departamento do Comércio divulga os dados de renda pessoal e gastos com consumo (PCE) de julho, acompanhados do índice de preços dos gastos com consumo.

Na Europa, quatro bancos centrais do Leste europeu têm reuniões de política monetária na próxima semana (Hungria, Eslováquia, Polônia e República Checa). Entre os indicadores previstos, os mais importantes são os dados do desemprego na Alemanha, na França e na Zona do Euro e várias pesquisas de confiança do consumidor e das empresas. A votação final do Parlamento da Turquia para a escolha do próximo presidente do país também deverá ser acompanhada com atenção, devido aos temores de "islamização" do governo do país pelo candidato favorito, o ministro das Relações Exteriores Abdullah Gul.

Para a Ásia e Pacífico, a próxima semana também será rica em indicadores econômicos, com destaque para os dados da inflação no Japão, na sexta-feira, e o PIB da Índia no segundo trimestre, no sábado. Entre os eventos previstos, o destaque será a visita oficial à China da chanceler alemã, Angela Merkel, com a possibilidade de anúncio de acordos bilaterais de investimento. O único banco central com reunião prevista na semana é o da Tailândia, na terça-feira.