O número de consumidores endividados recuou em agosto, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da instituição, divulgada nesta terça-feira, 27, mostra que 63,1% das famílias relataram ter dívidas neste mês. Em julho, o total das famílias endividadas era de 65,2%. Na comparação anual, porém, o porcentual de endividados foi superior ao de agosto de 2012, quando 59,8% das famílias declararam ter dívidas. A pesquisa considera como dívidas contas a pagar em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro.

A inadimplência em agosto foi menor na comparação com julho, mas maior ante agosto de 2012. O porcentual das famílias com dívidas ou contas em atraso chegou a 21,8%, ante 22,4% em julho. Em agosto do ano passado, no entanto, 21,3% das famílias estavam com dívidas ou contas em atraso. O porcentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso caiu em ambas as bases de comparação. O total passou de 7,4% em julho para 7,0% em agosto. Em agosto de 2012, 7,1% das famílias se consideravam nessa situação.

Percepção do consumidor

O porcentual de famílias endividadas voltou a cair em agosto após alcançar o segundo maior patamar da série no mês anterior. Em nota, a CNC aponta que, apesar dessa queda, a percepção das famílias em relação ao seu nível de endividamento não melhorou. A proporção que relatou estar muito endividada ficou estável na comparação mensal e superou o patamar observado em agosto de 2012. Houve redução do porcentual de famílias que se declararam pouco endividadas, de 26,1% para 25,9%.

“A redução do número de famílias endividadas é compatível com a moderação observada no mercado de crédito e do volume de vendas do comércio, proporcionada pela menor confiança do consumidor em relação à sua renda e à inflação”, explica o comunicado da CNC.

Segundo a CNC, apesar da piora da percepção das famílias em relação ao seu nível de endividamento, melhorou a perspectiva da capacidade de pagamento, acompanhando a redução do endividamento e da inadimplência. “A menor pressão sobre o custo de vida com desaceleração da inflação e o crescimento mais moderado do crédito proporcionam condições positivas para os indicadores de inadimplência”, destaca a nota.