A queda de 9,3% esperada para a produção de soja este ano frente ao ano passado levou à queda na estimativa de safra brasileira de grãos para este ano, 1,5% menor em relação à produção do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O gerente da Coordenação de Agropecuária do instituto, Mauro Andreazzi, lembrou que o Sul sofre há meses com problemas de estiagem, agravados pelo fenômeno climático La Niña. Era esperada uma melhora em fevereiro, mas as chuvas decepcionaram. “Entre as estimativas para a produção de soja de janeiro para fevereiro, houve uma redução de 2,2 milhões de toneladas (para 67,8 milhões de toneladas)”, acrescentou.

O Estado mais afetado foi o Rio Grande do Sul. “No ano passado, o Rio Grande do Sul teve participação de 15,5% na produção de soja do País. Este ano, na estimativa de fevereiro, este porcentual é de 11,3%”, afirmou.

Andreazzi lembrou que a soja representa 43,1% da produção nacional de grãos. Portanto, qualquer movimento, seja para cima ou para baixo, tem forte impacto no desempenho total da safra.

O desempenho poderia ter sido ainda pior, não fosse o aumento de 2,7% na área plantada de soja em 2012 em comparação com 2011, que equilibrou, em parte, a perda na produção. “A soja estava com um preço bom, e isso estimulou o produtor a plantar mais. Mas o clima não ajudou”, afirmou.

Para Andreazzi, culturas de segunda safra e safras de verão que estão sendo plantadas podem ajudar a diminuir a perda de volume nacional de grãos este ano, frente ao ano passado. Mas admitiu que estas culturas têm nível de produção muito abaixo da soja brasileira. Portanto, a compensação entre a redução já esperada para a produção da soja e a entrada de novas culturas não seria equilibrada, em igual magnitude.