O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, repetiu na Argentina – conforme reportagem publicada ontem pelo diário Clarin – o que já havia dito em Curitiba na quinta-feira: que o Brasil pensa, mesmo, em abandonar a tutela do FMI. “Estamos estudando a possibilidade de não renovar o acordo com o Fundo. Temos tempo, até março próximo, quando expira o prazo do convênio que o Brasil assinou no ano passado”, disse.
Em 2002, o FMI havia aprovado um crédito solicitado por Brasília de US$ 30,4 bilhões, que em dezembro de 2003 foi acrescido de US$ 6,6 bilhões. No dia 22 de setembro deste ano, o FMI estimou que o Brasil recebeu cerca de US$ 25 bilhões e mencionou a decisão do governo brasileiro de “deixar a ajuda financeira do FMI”. Meirelles negou que pretenda sugerir um novo cálculo do superávit fiscal primário excluindo as obras de infra-estrutura dos gastos públicos, durante a assembléia anual do FMI e do Banco Mundial, que começa hoje, em Washington.
“O que existe é uma proposta referente a créditos contingentes: uma linha disponível para países que apresentem sua política macroeconômica em ordem que garantia financiamento no caso de problemas de liquidez internacional, devido a uma crise inesperada”, explicou.
Baixa o tom
O diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional, Anoop Singh, afirmou ontem que a relação com a Argentina é “construtiva”, elogiou os resultados fiscais do país e garantiu que o nível de reservas “permite administrar a dívida”. Singh garantiu ainda que o organismo mundial continua em contato com Buenos Aires.
Em entrevista coletiva em Washington, horas antes da abertura formal da Assembléia Anual do FMI e do Banco Mundial, Singh fez inúmeros elogios ao país, postura diferente da adotada por outros representantes do Fundo nos últimos dias.
Ele reconheceu que o nível de superávit fiscal da Argentina encontra-se acima dos “objetivos” acertados com o organismo e que a situação fiscal do país superou todas as expectativas.
“De fato, a situação fiscal do país supera as expectativas”, disse Singh, acrescentando que, no entanto, o país “necessita de investimentos em infra-estrutura de serviços”.
O ministro da Economia, Roberto Lavagna, viajou a Washington junto com funcionários da área de finanças. A estadia na capital americana vai durar quatro dias e o ministro já descartou a realização de reuniões bilaterais para tratar da reestruturação da dívida do país.
Nos últimos dias, os principais representantes do FMI e do Bird criticaram a administração argentina de temas sensíveis, como a oferta aos detentores de bônus ou as tarifas dos serviços públicos.