O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem que a retomada do crescimento brasileiro “começa a se materializar”, embora afirme compreender a ansiedade da sociedade com a sua consolidação. “É claro que nós queremos, temos o dever de crescer. Não há atalho. É preciso perseverar na direção correta. Não há mágicas. É necessário um trabalho duro com um passo após o outro”, disse.

Para Meirelles, a política adotada na área econômica, combinando “rigor monetário e fiscal”, é o que vai permitir o crescimento sustentável do País. Isso porque, segundo ele, essas medidas contribuem para aumentar a “previsibilidade” da economia e, por conseqüência, os investimentos privados.

“É absolutamente razoável que a sociedade brasileira tenha grande ansiedade (com relação ao crescimento e à geração de empregos). Mas isso não deve nos desviar da rota do crescimento sustentável.” O presidente do BC afirmou ainda que os fundamentos econômicos relacionados às contas externas estão contribuindo para diminuir a vulnerabilidade do País a choques externos.

Segundo ele, o saldo em conta corrente em 2004 ficará próximo ao registrado no ano passado, de 0,8% do PIB (Produto Interno Bruto). Esse resultado positivo, de acordo com Meirelles, permitirá que o Brasil se posicione com maior segurança em um eventual aumento da taxa de juro americana.

Juro

Na avaliação de Meirel-les, o juro real brasileiro (que desconta a inflação) está em torno de 9%, o que ainda é elevado. Entretanto, ele considera que o Banco Central não deve baixá-lo artificialmente.

“Se o BC tentar de uma forma voluntarista baixar artificialmente a taxa Selic, o que ocorreria, como já ocorreu no passado? A taxa de mercado iria subir, porque o mercado iria projetar uma inflação mais alta. Isso penalizaria a atividade econômica”, disse, durante evento no Rio.