O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Aldo Mendes, afirmou que a medida prudencial relativa à posição vendida dos bancos, anunciada hoje, não tem objetivo ligado à política monetária, apesar de ela gerar um recolhimento compulsório em reais, reduzindo a liquidez do sistema financeiro.

Mais cedo, o Banco Central (BC) anunciou a adoção de uma medida para redimensionar as posições de câmbio das instituições financeiras. Circular que será publicada hoje no Sisbacen – sistema de informações da instituição – determina que os bancos recolham ao BC, sob a forma de depósito compulsório, 60% sobre o valor da posição de câmbio vendida que exceder o menor dos seguintes valores: US$ 3 bilhões ou o patrimônio de referência (PR). Esse depósito compulsório será recolhido em espécie e não será remunerado.

No jargão do mercado financeiro, “estar vendido” sinaliza realização de negócios que exigem a entrega futura de dólar ou pagamento da variação cambial. Na prática, isso representa a aposta dos bancos de que o real vai se valorizar. Estar “comprado”, por consequência, sinaliza a expectativa de depreciação da moeda brasileira.

Segundo Aldo, como o processo de ajuste no câmbio será gradual, o impacto monetário “não é relevante”, pois seu efeito será diluído no tempo. O diretor informou que os dados mostravam 35 instituições com posição vendida e 55 com posição comprada em câmbio, com o saldo vendido fechando dezembro em US$ 16,8 bilhões.

Reflexos

O diretor do BC previu uma redução de US$ 16,8 bilhões para US$ 10 bilhões nas posições vendidas em dólar no mercado financeiro até abril, como reflexo da medida anunciada hoje pela autoridade monetária. Essa hipótese de cálculo considera, segundo Mendes, se nenhuma instituição financeira quiser fazer o depósito.

Aldo avaliou que a medida aumenta a demanda por dólar do mercado financeiro e, por isso, tem o “indutor” de compras de dólar pelas instituições financeiras, provocando uma tendência de valorização da moeda norte-americana. A medida, explicou, entra em vigor no dia 4 de abril e, até lá, há tempo suficiente para as instituições do mercado se adequarem à nova regra. “Não haverá necessidade das instituições saírem correndo para cobrirem posições”, disse.

Ele explicou ainda que os conglomerados financeiros farão seus cálculos para eventual recolhimento compulsório sobre posição vendida com base no resultado líquido das diversas instituições que a compõem. Ou seja: se um banco do grupo tem posição vendida de US$ 100 milhões e outro tem posição comprada de US$ 100 milhões, não haverá recolhimento. Já se a posição líquida for vendida, então vale o cálculo da nova regra para definição do recolhimento.