Presidente da comissão especial que analisou a reforma da Previdência, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), disse nesta quarta-feira, 29, que voltou a ficar otimista com a aprovação da proposta. “Voltou a crescer o número de votos”, afirmou, mas sem quantificar o placar. “Vejo clima mais favorável do que 15 dias atrás”, disse Marun.

Apesar do tom confiante, o deputado – cotado para assumir a Secretaria de Governo, posto responsável pela articulação com o Congresso Nacional – admitiu que ainda não há votos suficientes para aprovar a proposta, que requer apoio de pelo menos 308 deputados em dois turnos. “Condição (técnica) de votar a reforma tem, só faltam os votos”, afirmou.

Embora o governo tenha dado um recado claro de que a proposta atual está “no osso” e de que não dará o aval para novas concessões no texto, Marun defendeu que haja diálogo e disposição para analisar propostas que surjam. “Eventualmente pode surgir alguma ideia que possa ser assimilada sem tirar a essência”, disse.

Ele comentou ainda que as propostas de mudanças feitas pelo PSDB, um aliado importante na tentativa de aprovar a reforma da Previdência, devem ser “avaliadas com respeito”. Os tucanos querem mexer no valor do benefício da aposentadoria por invalidez, na transição para servidores que ingressaram até 2003 e no limite de acúmulo de aposentadoria e pensão, hoje em dois salários mínimos.

“Agora, tem que vir a proposta e os votos”, alertou Marun. Segundo ele, não adianta as bancadas pleitearem mudanças sem entregar o apoio de que o governo necessita. O deputado também advertiu que o governo não pode se dispor a aprovar uma proposta tão desidratada que quase não tenha impacto nas contas públicas.