Rio  – As máquinas fotográficas digitais são o mais novo objeto do desejo dos brasileiros. Apesar do preço da câmera ainda ser salgado – em torno de R$ 1 mil a R$ 1.300 – e os custos com impressão chegarem a quase um real por foto no formato 10×15 (três vezes mais caro que o filme convencional), o Brasil deverá fechar 2003 com 200 mil máquinas vendidas, o dobro do ano passado.

– O preço ainda é um empecilho. Dos 20 milhões de câmeras fotográficas existentes no país, apenas 2% são digitais. Há um avanço no consumo, sem dúvida. Uma máquina que custava US$ 4 mil em 1996 hoje custa de US$ 400 a US$ 500. Mas ainda é um produto restrito às classes A e B – diz Edmundo Salgado, diretor de promoção da Associação Brasileira da Indústria de Material Fotográfico (Abimf) e gerente comercial da Noritsu do Brasil, empresa que fabrica minilaboratórios para impressão, inclusive digitais.

Vanessa Paes Barreto Musiello é uma das que se renderam ao universo digital. Faz da máquina fotográfica um meio de encurtar distâncias, já que mora com o marido nos EUA.

– Para matar as saudades envio fotos para os parentes e amigos quase todos os dias por e-mail – diz.

A febre das digitais não significa o fim do mercado de câmeras convencionais, diz Salgado. Segundo ele, nos lares de pouco mais de 60% dos municípios brasileiros não há uma câmera fotográfica sequer.

– O mercado fotográfico ainda tem muito que crescer. O consumo do brasileiro é de meio filme per capita. A entrada das máquinas digitais no mercado já ajuda de certa forma a movimentar a venda de câmeras convencionais. Isso porque provocou a redução do preço das câmeras comuns de boa qualidade, que custam hoje entre R$ 50 e R$ 150 – afirma Salgado.

O fim da película e das máquinas convencionais pode estar longe, mas as lojas de revelação e cópia de filmes preferem não esperar por isso. Tanto assim que as principais redes já oferecem serviços de impressão de fotos digitais em papel fotográfico.

Basta levar um disquete ou CD a uma das mil lojas especializadas que oferecem o serviço no Brasil. Enquanto o filme convencional precisa ser revelado e copiado, quem tem máquina digital pode escolher as imagens que deseja imprimir.

O dono da rede de lojas De Plá, Daniel Plá, já adaptou algumas de suas 160 lojas no Rio A impressão 10×15 em papel fotográfico custa R$ 0,99 a unidade, entregue em uma hora. Em novembro, a loja do BarraShopping terá um equipamento para impressão de fotos em 30 minutos.

– Por enquanto resolvemos implantar o serviço em lojas na Zona Sul e Barra da Tijuca. Até o fim do ano vamos colocar em prática o recebimento de imagens por e-mail, para que o cliente possa retirar as fotos na loja mais próxima de sua casa – explica Daniel Plá.

Nas lojas da rede Fuji, o preço varia de R$ 0,70 a R$ 1,10, dependendo da loja. Das 1.500 filiais em todo o Brasil, 200 oferecem serviços digitais. Mas não são apenas as grandes redes de lojas de revelação que lucram com o mercado digital. A Fnac, rede de livraria com lojas no Rio, São Paulo e Campinas, também oferece impressão digital a R$ 0,99 por imagem. A Data Pixell abriu a primeira loja em agosto, no shopping Fashion Mall para atender à demanda de clientes da Zona Sul do Rio que precisavam de serviços de impressão. Cada cópia custa R$ 1,43, entregue em meia hora.

– O cliente pode enviar a imagem por e-mail e buscar a cópia depois ou solicitar a entrega, com taxa adicional de R$ 5. A média diária de impressão é de 1,5 mil fotos. Percebemos que esse é um mercado interessante porque são poucas as lojas com perfil exclusivo de serviços digitais – diz Ivana Gravina, gerente da Data Pixell.

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