As empresas que fizerem a manutenção de suas plataformas de petróleo no Brasil poderão contabilizar esses gastos como conteúdo nacional, disse hoje a diretora-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Magda Chambriard. A executiva informou que está finalizando uma resolução da autarquia com essa finalidade, que entrará em consulta pública em julho.

continua após a publicidade

“Se ela fizer suas manutenções periódicas, como substituição de peças no Brasil, esse investimento sem dúvida é um investimento no Brasil, e poderá ser computado como conteúdo nacional”, explicou. A exigência de conteúdo nacional no setor de petróleo tem sido alvo de muitas críticas das empresas, principalmente estrangeiras, que reclamam do alto custo dos equipamentos feitos no Brasil e a falta de similares nacionais para itens necessários para construir uma plataforma, por exemplo.

Se não atingem a cota estipulada de conteúdo nacional as empresas recebem multa da ANP, o que poderá se agravar este ano com a entrada em fiscalização dos blocos adquiridos na sétima rodada de petróleo, a primeira a oficializar a obrigação de conteúdo nacional.

Magda também quer alterar o valor das multas que a ANP aplica em caso de acidentes em plataformas marítimas, porém esta mudança dependerá do Congresso Nacional porque altera uma lei de 1999, a Lei das Penalidades, informou. “Eu já mandei uma solicitação ao Ministério de Minas e Energia para que encaminhe ao Congresso uma modificação da Lei das Penalidades, de 1999, que está defasada”, disse Magda.

continua após a publicidade

A recomendação da executiva é de que as multas passem do teto atual de R$ 2 milhões para algo em torno de R$ 150 milhões, no caso de vazamento relevante de óleo ou morte. A Chevron, que motivou a alteração na lei, não deverá ser a primeira a estrear os novos valores, segundo a dirigente, já que a alteração na Lei de 1999 depende de aprovação no Congresso. Mesmo assim, a empresa americana será multada pela ANP, garantiu Magda, mas o valor ainda não está definido.

Além de aumentar os valores das multas, a ANP está propondo também incluir as áreas de exploração, produção e etanol, que não eram contemplados pela Lei de Penalidades anterior. “A Lei de 1999 foi muito na direção de distribuição e revenda de produtos, nesse momento estamos reforçando a exploração, produção e etanol, é recente a regulação do biocombustível pela ANP”, afirmou.

continua após a publicidade