O ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou hoje o combate que o governo tem travado com a valorização crescente do real, durante apresentação na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). “Já estamos fazendo há algum tempo (medidas para conter a apreciação cambial)”, disse. Ele lembrou ainda que há perspectiva de contínua entrada de recursos externos no País. “Estamos contando com Investimento Estrangeiro Direto (IED) de US$ 60 bilhões em 2011”, disse.

Mantega destacou o resultado do fluxo financeiro nos primeiros três meses do ano, ressaltando que a entrada de dólares no País vinha superando “em muito” a saída. Depois, lembrou que medidas restritivas para conter o fluxo foram tomadas em março e que o saldo financeiro até o dia 18 de abril já apresenta um “empate”.

Mantega enfatizou também que o Brasil foi o pioneiro na utilização do controle de capitais, ainda em outubro de 2009. Ele mencionou que o excesso de capitais e a valorização do real podem causar a “doença holandesa” – ou seja, a temida desindustrialização do País. “O excesso de capitais pode gerar inflação de ativos”, disse. Ele explicou que tem sido comum a arbitragem de especuladores estrangeiros que tomam dinheiro barato no exterior e lucram com o diferencial da aplicação nos juros do País, que são altos, segundo o próprio ministro.

A moderação de entrada de recursos também evitaria o excesso de exposição de bancos em empresas, segundo o ministro. “As empresas se empolgam e a conta pode ficar salgada de uma hora para outra”, comentou. Mantega, no entanto, descartou a existência de bolhas no Brasil, sejam elas na Bolsa de Valores, no mercado imobiliário ou no crédito. Isso não ocorre, segundo ele, porque o governo tomou medidas para evitar a excessiva valorização de ativos.

Câmbio

A cotação do dólar já estaria abaixo de R$ 1,40 caso o governo não tivesse tomado medidas nessa área. “O câmbio já estaria abaixo de R$ 1,40 há muito tempo”, comentou. Isso, segundo ele, traria problemas à indústria.

Mantega rebateu críticas de analistas em relação às ações do governo nessa área. A tese de alguns desses especialistas, segundo o ministro, seria a de que o Brasil caminhará naturalmente para um equilíbrio cambial em alguns anos, sem a necessidade de intervenção do Estado. “Mas se isso demorar um ano ou dois, já estaremos liquidados”, disse. “Vale a pena tomar as medidas, o governo continuará a tomar medidas”, garantiu.

O ministro disse, no entanto, que o controle do câmbio não tem sido uma tarefa fácil, porque a trajetória do dólar no mundo tem sido de “explícita desvalorização”. No fim de sua apresentação, Mantega disse que os ajustes na economia brasileira viabilizarão o crescimento de médio e longo prazo.