O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva vai deixar uma marca econômica maior que apenas a estabilidade. Durante sessão da CPI da Dívida Pública na Câmara, o ministro disse que o atual governo tem diferenças com as gestões anteriores e deixará como legado um “crescimento econômico forte e robusto mantendo a estabilidade fiscal e monetária”.

“Já estamos no maior ciclo de expansão da economia nos últimos 30 anos. A economia brasileira não tem medo de crescer”, disse ao lembrar que o País deve ter expansão entre 5% e 5,5% em 2010. A afirmação foi feita em resposta a um parlamentar que levantou a hipótese de o Brasil sofrer da “síndrome do bonsai” em que a economia é impedida de crescer normalmente.

O ministro também foi questionado sobre a possibilidade de permanecer no cargo no próximo governo. Segundo ele, essa é uma hipótese não cogitada. Mas fez a ressalva que “o futuro a Deus pertence”. Ao sucessor no Ministério da Fazenda, Mantega sugeriu que é preciso dar “continuidade a essa política que está dando certo”. “É a política econômica que deu mais certo na história do Brasil. Também é fruto de outros governos. Encontramos a rota do desenvolvimento”, disse. “Devemos seguir com o PAC, investimentos em infraestrutura, transferência de renda, programas sociais”, citou.

Durante a sessão, o ministro da Fazenda foi questionado sobre a hipótese de o Brasil crescer no mesmo ritmo da economia chinesa. “Também sonho crescer como a China, mas temos de ir devagar para não atropelar o crescimento sustentável”, disse, ao comentar que é melhor crescer a uma taxa menor, mas por mais tempo. “Crescer 5% ou 5,5% é bastante satisfatório. Porém, gradualmente podemos aumentar e nos aproximar de outros países”, disse.

Comparações

Guido Mantega fez diversas comparações entre a gestão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e a do presidente anterior, o tucano Fernando Henrique Cardoso. O ministro disse, por exemplo, que “o governo anterior demorou” para colocar em prática a Lei de Responsabilidade Fiscal que só foi aprovada em 2000.

A afirmação do ministro foi feita em meio à avaliação de que alguns temas econômicos precisam de tempo para “melhor percepção” da sociedade, do mercado financeiro e, às vezes, do próprio governo. “Foram quatro anos depois de o governo anterior ter resultados fiscais bastante fracos. Hoje, há percepção melhor da LRF principalmente após nosso governo”, disse, ao comentar que o governo atual preza pelos limites impostos pela Lei.

Outra comparação foi feita com o dinheiro disponível para o Plano Safra. Em 2002 – último ano de FHC, o governo havia destinado R$ 35 bilhões à agricultura. O atual plano do governo Lula tem R$ 107 bilhões para a agricultura empresarial e familiar.

Mantega também citou a carga tributária. “De fato, ainda ela é elevada. Mas a carga foi elevada sobretudo no governo anterior por meio de aumento de impostos. Na nossa administração, houve redução da tributação de empresas e cidadãos”, disse. O ministro esclareceu que a carga tributária em relação ao PIB aumentou em alguns anos do governo atual porque houve “formalização e crescimento da economia”.