O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que a retomada do crédito e a redução dos spreads bancários (diferença entre o custo pago pelo banco para captar recursos e o juro que ele cobra dos clientes) ainda não atingiram a situação ideal para a economia brasileira voltar a crescer. Por isso, segundo ele, é preciso que as políticas fiscal e monetária continuem estimulando o crédito e reduzindo o custo financeiro praticado pelo setor privado.

Mantega não quis comentar qual será o comportamento do Comitê de Política Monetária (Copom), na reunião que acontece esta semana, em função da queda do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano. Ele disse que, do lado da política fiscal, o governo continuará estimulando setores específicos que enfrentam dificuldades. O ministro não quis antecipar quais são esses setores, mas afirmou que não é só a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que estimula a economia. “Outras medidas podem ser adotadas e que os senhores conhecerão a seu tempo”, afirmou, em entrevista à imprensa. Ele informou que o governo continuará adotando medidas para fazer com que o crédito chegue às pequenas e médias empresas.

Mantega ressaltou que nunca fez projeções próprias do crescimento do PIB para o primeiro trimestre e reiterou que “o mercado inteiro errou”. A economia brasileira caiu 0,8% nos três primeiros meses de 2009, ante estimativa que iam de uma queda de 3% a 0,9%, segundo fontes consultadas pela Agência Estado.

“Não tínhamos informações concretas e, portanto, ficamos satisfeitos (com o resultado). O presidente Lula também ficou satisfeito porque mostra a capacidade de recuperação da economia brasileira”, disse.

O ministro afirmou ainda que o mercado esperava um contágio mais forte do resultado do quarto trimestre do ano passado no primeiro trimestre deste ano. “Há um descolamento da crise. Há um descolamento do resultado do quarto trimestre (de 2008)”, afirmou o ministro.