O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que as medidas anunciadas para fortalecer a indústria não visam proteger a ineficiência, mas sim aumentar a produtividade e beneficiar as empresas eficientes. Com isso, disse, essas medidas não excluem a possibilidade de que novas ações sejam anunciadas no futuro. O ministro disse ainda que o pacote anunciado hoje vai beneficiar os setores que enfrentam mais problemas com a valorização do real e a concorrência predatória de algumas importações.

As medidas anunciadas endereçam três frentes: reduz o custo financeiro, desonera de impostos e altera a tributação para importação de vestuário. Mantega destacou que as linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para capital de giro e investimentos e pré-embarque para exportação vão beneficiar as pequenas e médias empresas em setores com mão-de-obra intensiva. Ele disse que não há no mercado linhas com as características anunciadas hoje, seja em relação às taxas de juros ou nos prazos dos financiamentos.

O ministro observou ainda que as empresas que pagarem financiamento em dia ganharão um bônus de adimplência que reduzirá em 20% o porcentual da parte final dos juros.

Globalização

Mantega afirmou que o governo está preocupado em inserir as empresas no mundo globalizado. Segundo ele, embora o mercado interno esteja se tornando robusto, compensando em parte as perdas no mercado externo, o governo não pode olhar só para o momento presente. Ele ressaltou que as medidas de hoje não excluem a possibilidade de o governo adotar outras decisões no futuro. "Estas não são as primeiras medidas a serem anunciadas e não serão as últimas", disse. Na avaliação do ministro, as medidas visam a possibilitar que a indústria possa competir em pé de igualdade com a indústria de outros países.

Segundo ele, as medidas complementam as três circulares divulgadas pelo Banco Central (BC) na sexta-feira reduzindo a exposição cambial dos bancos. Ele explicou que o objetivo das circulares do BC foi limitar a capacidade das instituições de operarem no mercado futuro de câmbio e conter a valorização do real.

Mantega reafirmou que as instituições terão até 2 de julho para adaptarem o capital de referência ao volume de operações no mercado futuro de acordo com o teto estabelecido pelo Banco Central. Ele destacou que as medidas não só vão medir operações no mercado local como também no exterior. "É normal que haja uma valorização do real mas queremos evitar exageros e distorções", ressaltou. Para ele, as medidas do BC já começam a ter resultados. Ele, porém, não especificou quais resultados seriam estes.