Rio (AG) – O IGP-10 registrou deflação de 0,37% em julho, segundo dados divulgados ontem, pela Fundação Getúlio Vargas. Em junho, a taxa apresentara deflação de 0,41%. No ano, o IGP-10 acumula alta de 1,8% e nos últimos 12 meses, de 5,86% A deflação apurada pelo IGP-10 foi maior que o esperado pelos analistas e pode reforçar a tese de que o Copom precisa preparar a queda dos juros básicos da economia, antes que se instale um processo recessivo.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne na próxima semana para decidir sobre a taxa básica de juros do País (Selic), atualmente em 19,75%.

Os principais índices apresentaram deflação em junho. O IPCA, índice oficial do governo, teve deflação de 0,02% em junho, seguido pelo IGP-M, usado na correção dos contratos de aluguel e telefonia, caiu 0,44%, enquanto que o IGP-DI teve deflação de 0,45%.

Dois dos três índices que compõem o IGP-10, o Índice de Preços no Atacado (IPA) foi o que registrou a maior contribuição para o resultado de julho, passando de -1,10% para -0,64%. O item Bens Finais tiveram variação menor do que no mês de junho, passando de -0,71% para -0,30%.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) passou de variação positiva de 0,51% para deflação de 0,04%. Dos sete componentes desse item, quatro apresentaram taxa de variação inferiores às do mês passado. Segundo a FVG, a queda de 0,99% do grupo Alimentação e a desaceleração do grupo Vestuário (0,66%) foram as maiores contribuições.

O Índice Nacional de Construção Civil (INCC) apresentou variação de 0,64%, contra 2,21% do mês de junho. Os preços de Mão-de-Obra subiram 1,08% no mês, contra 4,53% de junho.

As opiniões dos analistas de mercado variam em relação à posição que o Copom adotará na reunião do próximo dia 20. Algumas correntes acreditam que o BC deverá já a partir de agora começar a reduzir a Selic, enquanto uma outra corrente estima que isso só deve ocorrer a partir de outubro.

É o caso da Consultoria Tendências, que aposta na manutenção dos juros em julho e agosto e em corte de 0,25 ponto percentual em setembro, com aumento do ritmo a partir de outubro. Com cortes de 0,5 ponto em outubro, novembro e dezembro, a Selic chegaria ao final do ano em 18% ao ano.

?Em nossas projeções, aumentamos o ritmo de cortes a partir de outubro levando em conta que a inflação corrente está caminhando rapidamente para a meta de 2006. A manutenção da taxa até setembro se deve apenas à cautela?, afirmou.

Maurício Oreng e a equipe do Unibanco também esperam para setembro o início dos cortes da taxa Selic, mas apostam em cortes de 0,5 ponto já a partir do primeiro. Com isso, a taxa Selic chegaria a dezembro em 17,75% ao ano.

?Os índices de inflação corrente vão ter um peso maior na decisão do BC, que já projeta para 2006 uma inflação menor (3,7%) que a meta (4,5%). A tendência nos próximos meses é a economia crescer menos, com um efeito maior nos índices de preços ao consumidor. Nesse cenário, o BC terá mais confiança para começar a cortar os juros em setembro?, disse Oreng.