São Paulo – A ampliação da capacidade de geração da hidrelétrica de Itaipu em 1,4 mil megawatts (MW), em 2004, poderá resultar na redução das tarifas cobradas pela estatal, de acordo com o novo presidente da empresa, Jorge Samek. Ele não soube estimar, porém, de quanto deverá ser a redução. “Isso dependerá ainda dos compromissos que deveremos ter em relação à produção de energia”, disse.

Samek participou ontem, na sede da Voith Siemens, em São Paulo, da liberação do rotor de uma das duas novas máquinas geradoras que deverão iniciar a produção no próximo ano, cada uma delas com 700 (MW). O outro rotor -a parte principal de uma máquina geradora -, também fabricado pela Voith Siemens, deverá ser entregue daqui a três meses.

Os dois rotores fazem parte de um pacote, encomendado ao consórcio CE Itaipu, do qual a Voith Siemens detém 40% de participação, orçado em US$ 184 milhões. Sobre o desejo de empresas do setor elétrico de que a tarifa de Itaipu seja desdolarizada, Samek salientou que todos os compromissos da companhia são em dólar e que “tem de ter a conta de chegada”. No ano passado, entre o pagamento do principal da dívida e seus juros, royalties e encargos, a companhia desembolsou cerca de US$ 2 bilhões.

Samek acrescentou que está na mesa da ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, um estudo visando à desdolarização da tarifa de Itaipu. Diretores de Itaipu que acompanharam Samek lembraram que, em virtude dos compromissos em dólar da empresa, a desdolarização não pode ocorrer na ponta da produção de energia, e sim na de comercialização, tarefa que cabe hoje à Eletrobrás.

A tarifa de Itaipu já sofreu uma redução no final de 2002, determinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. A empresa cobrava, até então, US$ 18,83 por quilowatt por mês (kW/mês). Hoje cobra US$ 15,93 por kW/mês.