O consumidor brasileiro tem um prejuízo anual de cerca de R$ 350 milhões decorrente da falta de troco disponível no comércio. A estimativa faz parte de um levantamento coordenado pelo professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UnB), José Matias-Pereira.

Para tentar amenizar o problema, desde o início do mês, o Banco Central do Brasil (BC) passou a disponibilizar kits de moedas e notas de menor valor para que agências bancárias repassem aos comerciantes.

Segundo Pereira, a pesquisa foi realizada pela internet e por meio de aplicação de questionários em pontos públicos da cidade de Brasília. Segundo ele, a perda com a falta de troco foi calculada com base nos valores que deixam de circular devido à convergência de preços não exatos, quando o 14,99 vira R$ 15. A pesquisa aponta para uma perda média anual de R$ 2 por pessoa, com a falta de troco no comércio.

Pereira explica que, como os preços no País estão muito fracionados, os preços não exatos são utilizados como uma estratégia de vendas. “Isso causa um desconforto psicológico. Hoje não há constrangimento das pessoas em dizer “não tenho troco, você aceita bala?'”, afirma.

Para a comerciante Cleusa Lopes, proprietária de uma lanchonete no bairro Bom Retiro, em Curitiba, conta que a maior falta é pelas moedas de R$ 0,05 e de R$ 0,10.

“Precisamos colecionar este tipo de moeda para poder garantir o troco”, afirma. Diariamente, ela conta que precisa de pelo menos R$ 50 de cada tipo de moeda para não ter problemas. Em caso de emergência, Cleusa afirma contar com a ajuda de comerciantes vizinhos. “Vivemos numa constante troca de gentilezas, já que todos têm basicamente os mesmos problemas”, diz.

Para o membro do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR) e diretor do curso de Economia da FAE, Gilmar Lourenço, a falta de moedas e notas de menor valor é um problema crônico, que geralmente se agrava quando a economia aquece e aumenta o movimento do comércio e, consequentemente, o volume de transações. “Com o mercado em recuperação, o fenômeno tende a se intensificar”, afirma.

Banco Central

O Banco Central anunciou que irá fazer trocas com bancos e comerciantes para aumentar a circulação de moedas metálicas e de notas de R$ 5 e R$ 2, que são as que mais se desgastam, em função da intensa circulação. Segundo o gerente do Meio Circulante do BC, Hélio Silveira, estão sendo disponibilizados dois kits para troco.

O primeiro com moedas de cinco, 10 e 25 centavos e R$ 1 e outro com moedas de cinco, 10 e 50 centavos e de R$ 1. Em Curitiba, os kits podem ser encontrados na agência do Banco do Brasil da Praça Tiradentes, n.º 410, no centro da capital.