Foto: Arquivo/Agência Brasil

Henrique Meirelles: sem saber se fica ou não.

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse que não existe a possibilidade de o BC permitir a volta da inflação em troca de um maior crescimento econômico. A declaração de Meirelles foi feita ontem em entrevista coletiva após almoço realizado na sede da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

?A sociedade está entrando em um debate que me parece extremamente positivo, sobre como podemos crescer mais. Isso é algo que certamente não será conseguido via inflacionária?, afirmou Meirelles, lembrando que não existe experiência internacional bem-sucedida de maior crescimento com mais inflação. ?Não é possível que, para fazer a economia crescer mais, tomemos medidas de política monetária que levem a uma inflação maior?, sublinhou.

O presidente do BC destacou que é fato que o Brasil precisa, quer e tem condições de alcançar um crescimento maior. Além disso, disse que é esse o direcionamento dado hoje pelo presidente da República. ?Em dito isso, é importante dizer como podemos fazê-lo. No caso do Banco Central, a maior contribuição que pode ser dada é a de não deixar dúvidas de que a inflação ficará na meta. Isso reduz os custos de inflação e de juros no longo prazo?, observou.

Questionado sobre sua permanência ou não no governo a partir de 2007, Meirelles disse que esse é ?um debate prematuro? e será oportunamente decidido pelo presidente Lula.

Mercado

O mercado financeiro aumentou a estimativa para o IPCA em 2006, o índice usado no sistema de metas de inflação. De acordo com o relatório de mercado feito pelo Banco Central (BC) na semana passada e divulgado ontem, a previsão para o IPCA passou de 2,98% para 3%. Com relação a 2007, a estimativa é de que o IPCA ficará em 4,14%, contra 4,16% da semana anterior.

Nos dois casos, a estimativa média das instituições financeiras continua abaixo do centro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para este ano e o ano que vem, que é de 4,50%. Com isso, caiu a previsão sobre a taxa básica de juros. A mediana das expectativas dos analistas é de uma Selic de 13,25% no fim de dezembro, contra 13,50% da pesquisa anterior.

A média dos bancos e instituições financeiras prevê corte de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 28 e 29.

Além do IPCA – cuja projeção para 2006 teve uma pequena elevação – os demais indicadores de inflação deste ano também foram alterados para cima, com exceção do IPC da Fipe, cuja projeção foi mantida em 1,73%. A perspectiva para o IGP-M de 2006 é de incremento de 3,43% e não de 3,23% como apresentado uma semana atrás. O IGP-DI deste ano deve situar-se em 3,19%. No documento passado, o prognóstico era de elevação de 3,14%.