Rio – Oito anos após o início da privatização dos serviços públicos no Brasil, a concorrência não veio e as tarifas de energia elétrica e de telefonia fixa pesam cada vez mais no bolso do consumidor: a conta de luz subiu 278% e a de telefone, 454%, desde o início do Plano Real. Os principais atores do governo no processo de privatização admitem, hoje, que se optou deliberadamente por um índice que servisse de atrativo para os investidores estrangeiros. Os Índices Gerais de Preço (IGP-M e IGP-DI), usados nos reajustes, sofrem forte influência do câmbio.

Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES e ex-ministro das Comunicações, afirma que esse era o objetivo: proteger as concessionárias da oscilação do dólar.  Enquanto isso, Elena Landau, ex-diretora de Desestatização do BNDES, ressalta que, na época, antes da maxidesvalorização em 1999, o IGP era o índice que menos subia. “O IGP foi escolhido porque reflete em certa medida o dólar.  O que hoje é visto como um erro, foi justamente pensado assim, já prevendo que se houvesse algum problema com o câmbio, os contratos teriam certa estabilidade”, diz Mendonça de Barros.