O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou nesta terça-feira (15) que o aumento das concessões do seguro-desemprego se deve à alta rotatividade do mercado de trabalho brasileiro e pela maior oferta de emprego no País, que faz com que alguns trabalhadores optem por buscar novas vagas de trabalho. “Mês passado foi recorde de admissão e desligamentos”, disse o ministro. Em fevereiro, as admissões somaram 1,797 milhão, enquanto as demissões somaram 1,516 milhão.

Segundo Lupi, as concessões de seguro-desemprego também aumentaram em valor devido ao reajuste do salário mínimo, que também teve impacto no abono salarial. Dentro do corte de R$ 50 bilhões no Orçamento da União, o governo pretende cortar R$ 3 bilhões no abono salarial via redução de fraudes. “Estamos tomando todas as medidas para economizar nisso. Aumentou o gasto com abono porque mais trabalhadores entraram na faixa de quem ganha até dois salários mínimos, por isso as concessões de benefícios cresceram”, alegou Lupi.

Segundo ele, o Ministério do Trabalho tem investido para combater fraudes nos pedidos de benefícios, mas não pode negar o pagamento aos trabalhadores. “Governo é obrigado a pagar a quem tem o direito”, disse Lupi.

Ele afirmou que o Ministério está testando em algumas cidades um novo sistema que confere se não existem vagas em aberto nas áreas de atuação de trabalhadores demitidos que solicitarem os benefícios, para só então liberar os valores. Além disso, a pasta tentará colocar os trabalhadores nessa situação em cursos de atualização profissional em parceria com o “Sistema S”.

As despesas com seguro-desemprego aumentaram 4,47% em 2010, com dispêndio de R$ 20,44 bilhões, valor recorde. Já os gastos com o abono salarial demandaram R$ 8,75 bilhões, alta de 15,78% ante 2009.