Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende mobilizar presidentes, movimentos sindicais, parlamentares e organizações não-governamentais (ONGs) de todo o mundo na luta contra a pobreza nos países pobres. O anúncio foi feito hoje por Lula ao participar, por meio de videoconferência, do encerramento da Conferência Anual da Rede Parlamentar de Países Membros do Banco Mundial (Bird), que acontece em Londres.

“Eu pretendo mandar uma carta para cada presidente de todos os países do mundo. Nós pretendemos mobilizar o movimento sindical no mundo inteiro, mobilizar os parlamentares, mobilizar as ONGs. Eu acredito que é possível criar um movimento mundial contra a fome, até porque eu acho que o nome da paz – que nós queremos tanto, pela qual brigamos tanto – chama-se justiça social. Se não tivermos justiça social, mais difícil será termos a tão sonhada paz”, afirmou Lula.

Ao responder a uma pergunta de um parlamentar do Paquistão, o presidente Lula foi duro ao criticar a política de subsídios à agricultura adotada pelos Estados Unidos e países da União Européia (UE), que prejudicam o crescimento dos países em desenvolvimento. Segundo Lula, os agricultores dessas nações são subsidiados pelos seus governos mais por razões eleitorais do que por questões econômicas. “Nós sabemos que vários países têm subsídios porque os agricultores passam a ter um peso extraordinários na época das eleições”, afirmou o presidente.

Para o presidente Lula, o livre comércio deve valer para todos os países, ricos, pobres ou em desenvolvimento, que têm na agricultura uma das fontes de produção de riqueza, mas não podem exportar em condições ideais por conta dos subsídios. Ele aproveitou para fazer um alerta sobre os perigos da fome no mundo aos parlamentares dos mais de 150 países associados aos Bird: “A fome, por enquanto, é um problema social, não é um problema político. Ela vai se transformar num problema político quando os famintos começarem a gritar”.

Lula voltou a defender sua proposta de criação de um fundo mundial contra a fome, a ser mantido com uma espécie de impostos sobre o comércio mundial de armas, cujo faturamento anual atinge a cifra de US$ 1 trilhão; e pela tributação dos depósitos feitos nos chamados “paraísos fiscais”.