O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou neste sábado (8), em discurso durante discurso de abertura no encontro dos representantes do G-20, realizado na capital paulista, que os agentes financeiros privados internacionais observem regras internas de governança corporativa e de transparência de informações relevantes, ao mercado e a sociedade, sobretudo aquelas relacionadas aos riscos dos investimentos e os ativos financeiros.

O presidente também ressaltou que as políticas nacionais e as instituições financeiras internacionais devem incorporar em suas práticas a prevenção de crises financeiras, além de empregar mecanismos de supervisão e de acompanhamento dos mercados.

De acordo com ele, as instituições financeiras devem se adaptar à nova situação econômica e em meio aos crescentes riscos do mercado financeiro, o Estado deve buscar um equilíbrio e a promoção do desenvolvimento econômico. “Os setores que expuseram o mundo ao risco agora têm de oferecer mecanismos para a retomada da estabilidade”, disse Lula, acrescentando que os agentes financeiros devem observar as regras de governança corporativa e atuar com transparência dando respostas à sociedade.

“Neste contexto, o G-20 tem muito a contribuir, como um fórum de dialogo representativo, que congrega países emergentes. O G-7 não consegue mais atender sozinho aos interesses do mundo. A solução da crise virá da união entre o G-7 e o G-20. A superação da atual crise passará pela cooperação destes dois grupos, ouvindo o conjunto da comunidade mundial. Afinal a riqueza ainda se concentra nos chamados países desenvolvidos, mas o crescimento econômico (mundial) está sendo mais robusto nas economias emergentes e em desenvolvimento”.

O presidente citou, durante o discurso, levantamento do Fundo Monetário Internacional destacando que 75% do crescimento da economia mundial está localizado justamente nos emergentes e nos países em desenvolvimento. “E essa tendência se manterá em 2009”, previu. De acordo com ele, a crise internacional fez com que os bancos nos EUA e Europa parassem de emprestar dinheiro. Lula salientou ainda que a falta de financiamento externo poderá levar a problemas no balanço de pagamentos de alguns países.

O presidente destacou a consistência dos fundamentos macroeconômicos e disse que nesse momento Brasil “está colhendo os resultados”. “A inflação está em níveis baixos, a dívida pública está controlada e mantivemos o superávit primário em 4%”, afirmou. Lula afirmou também que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não serão interrompidas e que o governo vai oferecer crédito ao sistema financeiro nacional e para o comércio exterior.