O presidente Lula escolheu José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, para coordenar seu programa de governo na campanha à reeleição. A decisão sinaliza a manutenção de um viés desenvolvimentista, com maior protagonismo do Estado na economia, caso o petista vença as eleições. As informações são da Gazeta do Povo.

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Gabrielli é professor titular aposentado da Universidade Federal da Bahia e pós-doutor pela London School of Economics. Ele presidiu a Petrobras durante o primeiro governo Lula, no período de maior expansão da estatal. Sua gestão atravessou crises e escândalos, incluindo o caso Pasadena e investigações da Operação Lava Jato.

Economistas avaliam que a escolha indica continuidade da expansão do gasto público. Gabrielli defende maior protagonismo do Estado no crescimento, política industrial e controle da política monetária. Para ele, o equilíbrio das contas públicas pode ser obtido por outros instrumentos, sem especificar quais.

Cleveland Prates, professor titular de Economia da FGV-SP, critica a estratégia. “A visão de que gasto público gera crescimento não deu certo em nenhum lugar do mundo”, afirma. Ele considera que discutir desenvolvimentismo sem resolver o problema das contas públicas “beira à maluquice”.

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Marcelo Farias, presidente do Instituto Liberal de São Paulo, avalia que o modelo remete à Nova Matriz Econômica do governo Dilma Rousseff. Esse modelo é associado por economistas à deterioração das contas públicas e à recessão de 2015 e 2016, quando o PIB acumulou queda superior a 6,7%.

As declarações de Gabrielli provocaram reações no mercado financeiro. Ele defendeu mecanismos para reduzir a volatilidade cambial, incluindo controle do fluxo de capitais, causando temor de maior intervenção na dinâmica do dólar.

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A repercussão levou o presidente do PT, Edinho Silva, a afirmar que as posições de Gabrielli representam apenas contribuições ao debate interno e não refletem a posição oficial da campanha. Segundo ele, a palavra final caberá ao presidente Lula.

Gabrielli chegou à Petrobras em 2003 e assumiu a presidência em 2005, durante a crise do mensalão. Nos sete anos seguintes, a empresa consolidou a descoberta do pré-sal e realizou a maior capitalização da história do mercado até então.

O caso mais emblemático de sua gestão foi a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. O ativo custou mais de US$ 1 bilhão à Petrobras. O Tribunal de Contas da União concluiu que houve prejuízo e responsabilizou Gabrielli por parte das perdas. Ele obteve decisões judiciais que afastaram parte das condenações. Embora nunca tenha sido condenado criminalmente, sua administração foi revisitada pelas investigações da Lava Jato.