Decidido a dar um duro recado aos países ricos, onde começou a crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve defender hoje que o sistema financeiro fique mais fortemente vinculado à economia real e não mais a papéis especulativos, que refletem uma riqueza muitas vezes inexistente. Esse deverá ser o foco do discurso de hoje, na abertura da reunião do G-20 Financeiro, que reúne presidentes de bancos centrais (BCs) e ministros de finanças dos países desenvolvidos e dos principais emergentes. A grande quantidade de papéis lastreados em hipotecas imobiliárias sem garantias (subprime) são um exemplo do que o governo brasileiro considera um produto financeiro que não reflete a economia real.

O governo brasileiro tem se queixado do fato de os países emergentes estarem pagando caro por uma crise que não causaram. Na visão do Planalto, é necessária alguma limitação ao sistema financeiro e esse limite teria de ser dado pelos estados, de forma coordenada. Lula deverá defender, em seu discurso, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial sejam redesenhados de forma a dar mais poder aos países emergentes. É bandeira antiga do governo brasileiro mudar a relação de poder nesses organismos, que refletem o status econômico do mundo pós-guerra e não dá voz a países que ganharam importância desde então, como o Brasil e a Austrália, por exemplo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.