Lula no Peru: ?Eu não fui eleito
para quebrar o Brasil?.

Cuzco

– O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem a política econômica do governo em entrevista coletiva na cidade de Cuzco, no Peru, depois do encerramento da reunião do Grupo do Rio. “Estamos a menos de seis meses no governo federal, preparando a economia para uma virada que nós queremos, que vai acontecer”, disse Lula. “Temos que ter uma taxa de juros compatível com o modelo econômico que queremos para o Brasil. O meu compromisso é mudar a política econômica.”

O presidente destacou que a redução dos juros vai acontecer no momento certo e que não adiantaria nada reduzi-los imediatamente se, no mês seguinte, fosse necessário aumentá-los novamente. “A política de juros não é um interesse pessoal do Lula, do vice-presidente José Alencar ou do ministro Palloci. É uma necessidade para melhor se distribuir recursos para o País.” Lula lembrou que a atual gestão está trabalhando com um orçamento do governo anterior, que teve um corte de R$ 14 bilhões. E que o grau de confiabilidade conquistado nos primeiros cinco meses de governo não tem precedentes na história.

“Um governo sério, que sabe o que quer, trabalha com paciência”, disse Lula. “Eu não fui eleito para quebrar o Brasil, mas para gerar empregos e melhorar as condições de vida da população.” Reconhecendo que a redução da taxa de juros é uma questão muito delicada, o presidente destacou que suas maiores preocupações são com a taxa Selic e os juros que recaem diretamente sobre a população, asfixiando a economia. Lula disse que o governo irá acertar a taxa Selic, porque isso vai produzir um efeito psicológico fantástico na sociedade e, sobretudo, porque representa uma grande economia para os cofres do governo, que chamou de o “único responsável pela taxa”.

“O governo oferece títulos, a banca oferece preços. Depende do governo aceitar ou não. E nós estamos criando mecanismos para que o governo não precise ficar dependendo apenas da venda de títulos ao mercado financeiro”.

A questão da taxa de juros esquentou ontem com uma inconfidência do chefe da Casa Civil, José Dirceu. Ele disse que as taxas desestimulam o crescimento econômico. A declaração de Dirceu serviu inclusive de munição para os radicais do partido. A senadora Heloísa Helena (PT) criticou ontem José Dirceu. Heloísa ainda ironizou com a frase “não tem Conselho de Ética para ele”, durante o segundo dia do seminário do PT para a discutir as reformas.

“Quando a política econômica fica refém da taxa de juro, é preciso discutir o modelo como um todo. Fomos eleitos para promover mudanças estruturais profundas, se estamos adotando uma política econômica que cria complicações para as mudanças estruturais… Imagina, que se até ele está a dizer isso, fica muito estranho que estejamos ameaçados de expulsão por dizer coisas igualmente salutares”, disse.