Em sua guerra particular em defesa do etanol brasileiro e contra a inflação mundial de alimentos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende abrir outra frente de discussão nos próximos dias: a especulação internacional no mercado de petróleo. Em entrevista neste domingo (1º) em Roma, Lula deixou claro que acredita em uma exploração desmedida no mercado futuro do combustível que beira o insustentável.

"Hoje vivemos uma especulação no mercado futuro de petróleo. Não tem nenhum sentido o petróleo estar a U$ 145, US$ 140 o barril. Dizer que é apenas o aumento do consumo na China não é tão convincente", afirmou. "Porque eu tenho consciência que o preço do petróleo na bomba não chega a U$ 35 dólares, então tem gente ganhando muito dinheiro no mercado futuro com preço do petróleo". Lula chegou a dizer que terá uma reunião com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, na próxima quarta-feira, onde conversará sobre o tema, mas desconversou sobre a possibilidade da empresa adotar algum congelamento de preços dentro do Brasil.

"O preço do petróleo é internacional, é de mercado. A Petrobras não é do Estado, tem participação de capital estrangeiro, não pode ter comportamento ‘solito’. O que queremos é que o conjunto dos Países e das empresas de petróleo comece a fazer essa reflexão", disse, lembrando que na reunião com os Países do Sistema para Integração Centro-Americana (Sica), na última semana em El Salvador, foi aprovado um pedido para que as Nações Unidas façam a convocação de uma reunião para debater especificamente o petróleo.

"Acredito que seja necessário que façamos uma discussão mais geral e mundial sobre isso. Eu estranhamente participei da reunião da União Européia com a América Latina em Lima (Peru) e, das seis pessoas que falaram da União Européia, ninguém falou em petróleo. É como se não existisse nem o petróleo, nem a crise imobiliária americana. São dois problemas que podem afetar os Países pobres e isso não está no discurso dos Países ricos", disse o presidente.