O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assume o quarto mandato em 5 de janeiro de 2027 com mais de 90% do orçamento comprometido com despesas obrigatórias. Sem mudanças estruturais, a dívida pública pode ultrapassar 100% do PIB nos próximos anos. As informações são da Gazeta do Povo.
O mercado reagiu negativamente à reeleição de Lula na segunda-feira (26). O dólar teve a maior alta diária em cerca de 27 anos, enquanto o Ibovespa caiu quase 14%. O circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações, foi acionado pela primeira vez em seis anos.
Entre as alternativas para conter o avanço da dívida estão rever regras de aposentadorias e benefícios sociais, cortar despesas de custeio da máquina pública e limitar as emendas parlamentares.
Dívida pública cresce desde 2014
Desde 2014, o setor público só registrou superávit primário em 2022. A dívida bruta alcançou 82,9% do PIB em agosto, segundo o Banco Central. A carga tributária atingiu 32,4% do PIB em 2025, o maior valor da série histórica.
Quase metade da dívida pública (46,4%) está atrelada à taxa Selic. Eventuais elevações da taxa de juros tornam-se despesa nova. O governo prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões (0,13% do PIB) para 2027. Já a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão do Senado, aponta déficit de R$ 86,1 bilhões.
Governo terá 18 meses para fazer ajustes
Segundo a gestora Kinea Investimentos, o país terá 18 meses, entre janeiro de 2027 e meados de 2028, para fazer os ajustes necessários. Depois, as campanhas das eleições municipais de 2028 travam a aprovação de reformas impopulares no Congresso.
Estabilizar a dívida no patamar atual exigiria um superávit primário imediato de cerca de 2% do PIB. O pacote exigirá alterar a indexação do salário-mínimo — cada R$ 1,00 de aumento eleva despesas em R$ 413,2 milhões — e revisar os pisos de saúde e educação.
Um dos principais desafios será montar uma equipe econômica comprometida com o ajuste fiscal. Um dos nomes citados para assumir o Ministério da Fazenda é o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
