O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou informações incorretas sobre a economia brasileira durante entrevista ao Jornal Nacional na quinta-feira (27). Ao falar sobre PIB, dívida pública e situação fiscal, ele citou dados que contradizem registros oficiais do Tribunal de Contas da União (TCU), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Central. As informações são da Gazeta do Povo.
Entre as afirmações questionadas está a de que teria herdado o governo em 2023 com déficit fiscal de 2,8%. Na realidade, segundo o TCU, o governo federal encerrou 2022 com superávit primário de R$ 54,9 bilhões, equivalente a 0,6% do PIB. Foi o primeiro resultado positivo após oito anos de déficits. A partir de 2023, a União voltou a acumular resultados negativos.
Presidente erra ao falar sobre crescimento do PIB
Lula afirmou que o PIB só voltou a crescer acima de 2% após seu retorno ao Planalto em 2023. Os dados do IBGE mostram o contrário: o PIB brasileiro avançou 4,6% em 2021 e 3% em 2022. Apesar da retração de 3,3% em 2020 por causa da pandemia, a variação consolidada entre 2019 e 2022 foi positiva em 5,6%.
O presidente também disse ter sido o único líder do G20 a fazer superávit primário durante oito anos. O Brasil de fato teve resultados positivos entre 2003 e 2010, mas a Argentina também registrou superávit primário em todos esses anos. Ambos os países foram beneficiados pelo superciclo das commodities, que elevou a arrecadação dos governos.
Comparação com outros países ignora trajetória da dívida
Ao comparar a dívida brasileira com a de Estados Unidos, Japão e Itália, Lula afirmou que 80% do PIB em dívida pública não seria preocupante. A comparação ignora fatores como trajetória, custo dos juros e capacidade de gerar superávits. Dados do Banco Central mostram que, nos 12 meses até junho de 2026, os juros nominais acumulados chegaram a 8,8% do PIB. A dívida bruta atingiu 81,9% do PIB no mesmo período.
O presidente também disse que a dívida começa a cair quando a economia cresce. A afirmação é simplificadora, pois a trajetória da dívida depende de resultado primário, pagamento de juros, inflação e emissões de dívida. Em junho de 2026, a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a R$ 10,8 trilhões, alta de 3,3 pontos percentuais no ano, mesmo com crescimento da economia.
