Presidente também mexeu nas taxas
de juros para o crédito rural.

São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem a liberação de R$ 32,5 bilhões para financiamento da safra 2003/04. O valor é 25,8% superior ao liberado na safra passada. Também anunciou mudanças nas taxas de juros para o crédito rural. As taxas controladas com juros equalizados pelo Tesouro Nacional serão mantidas nos níveis atuais para os empréstimos de custeio e investimento, inclusive para os programas executados com recursos do BNDES. Mas o governo reduziu de 8,75% para 7,25% ao ano as taxas de juros do programa de geração de empregos e renda.

O setor cafeeiro também recebeu sua fatia no bolo do Plano Agrícola e Pecuário 2003/04. As taxas de juros nos empréstimos para a colheita e comercialização cairão de 13% para 9,5% ao ano.

Nos próximos dias será encaminhado, em caráter de urgência, um projeto de lei ao Congresso Nacional estabelecendo o seguro safra, uma antiga reivindicação do setor agrícola, principalmente no Nordeste do País.

Reflexos

No Paraná, as medidas foram bem recebidas pelo setor agrícola. O presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, disse que o governo “reconheceu a importância da agricultura para o cenário brasileiro”. Mas afirmou que ainda permanece uma preocupação. “É a efetiva alocação desses recursos e na época oportuna”, afirmou.

Koslovski acredita que o aumento de recursos e a manutenção da taxa de juros em 8,75% vai estimular o produtor. Para as cooperativas, a ampliação de R$ 250 milhões para R$ 450 milhões do volume de recursos destinados à agroindustrialização e à infra-estrutura foi uma das medidas mais importantes. O presidente da Ocepar também destacou como pontos positivos o aumento nos limites de financiamento para o milho e no crédito especial para comercialização. “Dá mais segurança ao produtor”, disse.

O assessor da presidência da Federação da Agricultura do Paraná, Carlos Augusto Albuquerque, também comemorou as novas medidas. “O governo percebeu que a agricultura é chave para o desenvolvimento e para a obtenção de divisas por meio da balança comercial”, afirmou. Ele considerou positivo sobretudo o aumento do limite de financiamento para o milho, de R$ 250 mil para R$ 400 mil e o volume de R$ 2 bilhões destinados ao Moderfrota.