Economia

Lula adota pacote de benefícios após criticar medidas de Bolsonaro

Imagem mostra Lula com a bandeira do Brasil ao fundo.
Imagem mostra Lula em coletiva para a imprensa. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) implementou neste ano eleitoral uma série de benefícios sociais, ampliação de crédito e desonerações tributárias semelhantes às medidas que ele próprio classificou como “pacote de bondades” eleitoreiro quando criticou o então presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022. À época, Lula e o PT acusavam o adversário de usar a máquina pública para influenciar o eleitorado e criticavam o impacto fiscal das iniciativas. As informações são da Gazeta do Povo.

Durante a campanha presidencial de 2022, Lula atacou principalmente a PEC dos Benefícios, apelidada de “PEC Kamikaze”, que autorizou gastos extraordinários e permitiu o aumento do Auxílio Brasil e a criação de benefícios para caminhoneiros e taxistas. “Eles estão tentando comprar o povo”, afirmou Lula na ocasião. Dirigentes petistas argumentavam que o pacote representava uma manobra de última hora com elevado impacto fiscal.

Quatro anos depois, o governo Lula reúne uma agenda de medidas de forte apelo popular e impacto fiscal em pleno ano eleitoral. A principal delas é a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem tem renda mensal de até R$ 5 mil, aprovada pelo Congresso em 2025 e em vigor a partir de 2026.

O governo substituiu o antigo Auxílio Gás pelo Gás do Povo, programa que prevê atendimento a cerca de 15 milhões de famílias em todos os municípios do país. A primeira etapa envolveu quase R$ 1 bilhão em recursos federais. Ao lançar o programa em setembro de 2025, Lula afirmou que a iniciativa busca combater a “pobreza energética”.

Outra aposta foi a criação do Luz do Povo, programa voltado à redução da conta de energia para famílias de baixa renda. O benefício é financiado pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo abastecido por encargos cobrados nas contas de luz. A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) alertou que o crescimento dos benefícios financiados pela CDE pressiona os encargos embutidos nas tarifas de energia.

O governo também lançou uma ofensiva de crédito subsidiado. Entre as iniciativas estão financiamentos para motoristas de aplicativo adquirirem veículos, linhas especiais para caminhoneiros e o Fies Empreendedor, que prevê empréstimos de até R$ 180 mil para recém-formados abrirem negócios próprios. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que o próprio Fies acumulou elevados índices de inadimplência ao longo de sua história.

Em abril, Lula decidiu incluir a Faixa 4 no Minha Casa, Minha Vida, estendendo o alcance do programa a famílias com renda mensal de até R$ 13 mil. Dados da Fundação João Pinheiro indicam que a maior parte do déficit habitacional brasileiro está concentrada entre famílias de menor renda, público que historicamente constituiu o foco do programa.

Outra frente foi a expansão do Desenrola. Após a primeira fase, voltada à renegociação de dívidas de inadimplentes, a gestão Lula lançou novas modalidades do programa, incluindo uma versão destinada a consumidores adimplentes, permitindo a substituição de empréstimos mais caros por operações com juros menores. A segunda edição recebeu ressalvas do BTG Pactual, cujos analistas classificaram o desenho como mais intervencionista. O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, apontou que a repactuação ampla de contratos de adimplentes poderia “estimular a inadimplência”.

O governo também encaminhou ao Congresso uma proposta para reformular o limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI). O texto prevê elevar o teto anual dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, com reajustes automáticos pela inflação nos anos seguintes. Somam-se a essas iniciativas a aceleração das entregas de obras do Novo PAC e a ampliação das despesas com propaganda institucional do governo, que alcançaram R$ 520 milhões empenhados no primeiro semestre, mais que o dobro do registrado no mesmo período do último ano eleitoral de Bolsonaro.

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