São Paulo – O lucro líquido dos três maiores bancos privados do país – Bradesco, Itaú e Unibanco -, somados, aumentou 22,3% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período de 2003. Juntas, as três instituições lucraram 1,761 bilhão de janeiro a março deste ano. O lucro do Bradesco cresceu 19,9% no período. O do Itaú, 22,7%. O Unibanco, que divulgou ontem seu balanço trimestral, registrou aumento de 26,5% no período.

“Seja qual for o desempenho da economia, os bancos continuam ganhando muito dinheiro”, afirma Erivelto Rodrigues, da consultoria Austin Asis.

Boa parte deste ganho está na cobrança de serviços. A receita com tarifas, taxas de administração de recursos, cartões de crédito e outros serviços bancários aumentou 21,6% entre janeiro a março, em relação a iguais meses de 2003. A receita das operações de empréstimos a empresas e consumidores cresceu 12,6% e chegou a 7,223 bilhões. O total de operações de crédito realizadas subiu um pouco menos, 11,2%, passando de R$ 115,3 bilhões para R$ 128,3 bilhões.

Na avaliação de Rodrigues, o “spread” – diferença entre a taxa paga aos aplicadores e cobrada dos tomadores de empréstimos – dos bancos brasileiros está entre os mais altos do mundo e as instituições têm conseguido aumentar substancialmente os ganhos com a cobrança de tarifas. Segundo dados da Austin Asis, em 1994, quando o real foi criado, as receitas com tarifas representavam 40% da folha de pagamentos do setor. Agora, representam acima de 100%. Ou seja, são suficientes para pagar todos os funcionários e ainda representam ganho extra. Rodrigues afirma que a receita de serviços representa 150% da folha de pagamentos do Itaú e do Unibanco e 110% da folha do Bradesco.

“A cobrança de tarifas é uma receita importante para os bancos, que deixaram de ganhar com a inflação. E essa importância pode aumentar ainda mais, já que os bancos ainda não começaram a cobrar pelas operações feitas pela Internet”, diz ele.

Cálculos da Austin Asis mostram que a conta investimento, que os bancos vão começar a operar em agosto próximo, vai significar para o setor uma receita extra de R$ 900 milhões por ano apenas com a cobrança de tarifa de manutenção, que deverá ficar entre R$ 2 e R$ 2,50.

Mas a oferta de crédito no mercado não acompanha o mesmo ritmo de crescimento dos lucros das instituições. A maioria dos bancos já informou que o crédito vai crescer este ano menos do que os 25% projetados inicialmente. O motivo, afirmam, é que a atividade econômica continua baixa e a demanda não deve subir como era esperado.