Proposta pela presidente Dilma Rousseff, e aprovada em 2013 na mais longa sessão da história do Congresso Nacional, a nova legislação dos portos brasileiros levará o Porto de Santos, o mais importante do País, a “definhar” em menos de cinco anos. É o que prevê o livro Infraestrutura, Transportes e Mobilidade Territorial, editado em 2013 pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT. Em dez anos, diz o livro, “o atual Porto de Santos estará totalmente desidratado”, por causa da concorrência desigual com os terminais de uso privado (TUPs).

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De um lado, diz o livro, ficarão os portos públicos com “uma série de restrições e encargos provenientes dos processos licitatórios” e tendo de cumprir regras da Agência Nacional de Transportes Aquaviários. De outro, os terminais privados, com menos obrigações. “Nesse cenário, há o risco dos futuros terminais privados ficarem nas mãos dos donos dos navios e dos grandes operadores internacionais, que têm fôlego suficiente para fazer ‘dumping’ por longo tempo, até a total precarização dos portos públicos.”

Um erro da nova legislação, diz o livro, é que foi proposta com base num pressuposto equivocado: o de que o exportador brasileiro pode escolher por qual terminal quer embarcar sua mercadoria. Assim, a oferta de mais terminais, públicos e privados, estimularia a concorrência e baixaria o preço.

Porém, alerta a publicação, quem escolhe o terminal é o armador, o dono do navio. E o novo modelo abriu a possibilidade de eles terem as próprias instalações portuárias. Assim, haveria uma verticalização no transporte de cargas. Esse problema afetaria principalmente as cargas em contêineres.

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Organizador do livro, o economista José Augusto Valente disse que o objetivo da publicação não era “ser chapa branca”, e sim lançar ideias para debate. E que a fundação não tem responsabilidade sobre a opinião dos autores.

“Discordo frontalmente da avaliação que a expansão dos terminais privados se dá às expensas dos portos públicos”, disse o secretário executivo da Secretaria de Portos, Antônio Henrique Silveira. “O novo marco regulatório procura dar um choque de concorrência.” Ele nega que haja verticalização dos terminais pelos armadores.

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Explicou que há casos localizados, como o terminal de Itapoá (SC), que tem participação do armador Hamburg Sud. “Mas não podemos pegar Itapoá e achar que isso é um modelo universal”, disse. Além disso, os terminais disputam contratos com os armadores. Há, portanto, concorrência.

Os portos públicos, disse o secretário, têm dificuldade em concorrer com os privados porque o programa de arrendamentos ainda não começou. Parado há mais de um ano no Tribunal de Contas da União, o processo permitiria redesenho das áreas portuárias e instalação de terminais mais competitivos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.