A distribuidora Light vai elevar em cerca de 20% os investimentos em manutenção este ano, para tentar, entre outras coisas, coibir o roubo de cabos de cobre em sua rede subterrânea. Segundo o presidente da empresa, Jerson Kelman, o furto de cabos “é parte do problema” que tem causado seguidos apagões na cidade do Rio de Janeiro. Segundo ele, a Light vai instalar trancas nos bueiros que dão acesso às redes subterrâneas, para evitar que as pessoas entrem pelas galerias para roubar os cabos. Além disso, afirmou, serão trocadas as boias instaladas nessas redes, para controlar a entrada de água. Hoje os equipamentos são de cobre – metal com alta cotação no mercado paralelo – que serão substituídos por boias de fibra de vidro.

Kelman deixou nesta manhã o Ministério de Minas e Energia, onde participou de reunião com o ministro Edison Lobão, e o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner. As duas autoridades cobraram providências da Light e da Ampla (distribuidora que atende o interior do Estado) para dar um fim aos frequentes apagões na região.

Segundo Kelman, os investimentos não darão à Light um “padrão suíço” de qualidade. “Mas no próximo verão, a frequência dos apagões será muito menor”, garantiu Kelman. Ele ressaltou que os investimentos na rede subterrânea beneficiam apenas cerca de 500 mil dos 4 milhões de consumidores da Light. Essa rede enterrada atende principalmente a zona sul e o centro do Rio. Mas Kelman deixou claro que as outras regiões da cidade, onde a rede é aérea, também receberão investimentos. Segundo ele, será instalado um sistema de blindagem dos cabos aéreos para evitar que entrem em curto-circuito ao serem atingidos por galhos.