A Legrand do Brasil, que mantém uma fábrica em Campo Largo especializada na produção de materiais elétricos, poderá demitir, nas próximas semanas, 106 dos cerca de 870 funcionários que trabalham na unidade.

O motivo, entretanto, não é a crise econômica mundial, diferente do que vem sendo alegado pela maioria das empresas. A justificativa da multinacional francesa é a recente padronização de tomadas e plugues do País, que está causando a retirada de circulação de algumas linhas de produtos.

A questão começou a ser discutida há uma semana, quando a empresa enviou ao Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) – que também engloba os funcionários das empresas de material elétrico – um ofício que dava conta da necessidade de readequação de seus quadros. Desde então, indústria e sindicato vêm negociando a melhor forma de reduzir os impactos para ambos os lados.

A empresa confirma a intenção em demitir: “A Legrand do Brasil está reorganizando o seu setor industrial para se adequar às evoluções normativas e técnicas do mercado Brasileiro. Em consequência, as modificações de processos de fabricação das famílias de produtos levam a uma adequação de efetivos de 106 pessoas na fábrica de Campo Largo. A diretoria da Legrand está em negociação com o sindicato quanto ao plano social e Plano de Demissão Voluntária (PDV)”, declarou a multinacional, através de sua assessoria de imprensa.

O SMC entende que a Legrand deve levar em consideração a sua responsabilidade social ao definir a forma com que as demissões serão feitas. “Estamos tentando construir um quadro mais favorável. Não dá para a empresa demitir, sem discutir a questão social. Não iremos simplesmente aceitar as demissões de cabeça baixa”, diz o vice-presidente do sindicato, Nelson Silva de Souza. Ele acredita que as negociações não deverão terminar antes do feriado de Carnaval.

A Legrand do Brasil é a dona da marca Pial, e possui quatro unidades no País. As demissões, porém, só devem afetar a planta de Campo Largo, que é a única que produz, entre outros itens, tomadas e plugues.

Os produtos foram, recentemente, padronizados pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro). Desde o dia 1.º de janeiro, fabricantes e importadores não podem mais disponibilizar no mercado tomadas fixas com dois polos.