O presidente do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), Haruhiko Kuroda, minimizou nesta quinta-feira recente especulação sobre possíveis altas de juros no próximo ano, num momento em que a instituição continua distante de sua meta de inflação de 2%, com o argumento de que a política de controle da curva de juros está relacionada ao objetivo de preços.

“O BoJ irá manter a atual configuração da política monetária enquanto o ímpeto de preços continuar inalterado. Se esse ímpeto for atingido, o BoJ poderá relaxar mais (sua política), disse Kuroda, em coletiva que se seguiu ao anuncio de política monetária do BC japonês. “Mas isso não significa que o BoJ não mudaria a meta de juros se a inflação se aproximasse de 2%”, acrescentou.

Nesta madrugada, os dirigentes do BoJ decidiram, por 8 votos a 1, manter a atual política monetária inalterada, incluindo a meta para o juro do bônus do governo japonês (JGB) de 10 anos em torno de zero e a taxa de depósitos de curto prazo em -0,1%.

Nas últimas semanas, alguns investidores começaram a especular sobre a possibilidade de aumentos de juros no Japão em 2018, depois que Kuroda mencionou, durante discurso em novembro, que taxas muito baixas podem ter efeitos prejudiciais para o sistema financeiro.

Kuroda disse hoje que a atual curva de juros é apropriada por enquanto, mas afirmou que o BoJ irá avaliar a meta de juro, considerando de forma abrangente os vários aspectos econômicos, de preços e financeiros.

Ainda na coletiva, Kuroda declarou que as atuais condições no Japão não são deflacionárias e previu que o ritmo do aumento de preços no Japão continuará ganhando força no ano que vem, mas admitiu que o BoJ tem um longo caminho a percorrer antes de atingir sua meta de inflação de 2%.

Kuroda também comentou não ver quaisquer problemas no sistema bancário japonês, mas afirmou que a queda no lucro que bancos regionais japoneses têm enfrentado reflete “juros baixos e problemas estruturais”. Fonte: Dow Jones Newswires.