Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e atual sócio da gestora QMS Capital, é cotado para assumir o Ministério da Fazenda caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença as eleições presidenciais. O nome do executivo, porém, enfrenta resistência entre a base bolsonarista, mesmo com o apoio de Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato. As informações são da Gazeta do Povo.
A desconfiança tem origem em declarações públicas feitas por Kayath em 2022, quando ele afirmou ter votado em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e chamou Jair Bolsonaro de “maluco”. Apesar da resistência interna, o mercado financeiro aposta no nome do ex-banqueiro para o cargo.
Kayath defende corte de despesas obrigatórias
O programa econômico defendido por Kayath é claro: o Brasil não conseguirá equilibrar as contas públicas apenas cortando gastos não obrigatórios. Para ele, é necessário enfrentar as despesas obrigatórias do governo.
A proposta surge em um momento em que o déficit nominal do setor público chegou a cerca de 9,5% do PIB em 12 meses até agosto. A inflação está em 4,58% ao ano, acima do teto da meta de 3%. Para controlar a alta de preços, o Banco Central mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano.
Em entrevista à Bloomberg, Kayath disse que a compra de ativos brasileiros após o primeiro turno reflete uma mudança nas expectativas dos investidores. Segundo ele, a recuperação definitiva da confiança depende de reformas fiscais rápidas.
Declarações do passado alimentam desconforto
Em julho de 2021, ao avaliar a gestão do então ministro Paulo Guedes, Kayath disse ao Valor Econômico que “a Faria Lima gosta de se iludir”. Ele afirmou que Guedes criou uma percepção positiva de curto prazo, mas que a realidade chegou depois.
Em janeiro de 2022, em nova entrevista ao mesmo jornal, Kayath declarou voto em Lula e participou de encontros com empresários em apoio à candidatura petista. “O problema é fiscal e, nesse ponto, Bolsonaro oferece muito mais riscos do que Lula”, afirmou na época, citando o ajuste fiscal de 2003 como exemplo de responsabilidade. Sobre Jair Bolsonaro, disse: “Ele não é de direita, é maluco”.
