A Justiça Federal do Rio de Janeiro tornou réus 12 ex-executivos das Lojas Americanas acusados de participação em uma fraude contábil de pelo menos R$ 22,8 bilhões. A denúncia do Ministério Público Federal foi aceita pela 6ª Vara Federal Criminal e o processo tramita sob segredo de Justiça. As informações são da Gazeta do Povo.
O caso envolve irregularidades que vieram à tona em 2023 e levaram a varejista a entrar com pedido de recuperação judicial. Segundo os procuradores, as fraudes teriam sido executadas e mascaradas por integrantes da diretoria, que apresentavam relatórios com informações distorcidas aos conselheiros da companhia.
Réus respondem por associação criminosa e manipulação de mercado
Os 12 réus foram acusados de associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Nove dos investigados também foram indiciados por uso de informação privilegiada. A denúncia original incluía 13 ex-executivos, mas Márcio Cruz Meirelles firmou acordo de colaboração premiada.
Procurada, a Americanas informou que ainda não teve acesso à decisão judicial, mas declarou confiar na atuação das autoridades para responsabilizar os envolvidos. A companhia reforça que foi vítima de uma fraude estruturada e de natureza dolosa cometida pelos ex-executivos.
Acionistas de referência não foram denunciados
Os acionistas de referência da Americanas, como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, não estão entre os denunciados. Segundo os procuradores, as delações e as provas reunidas ao longo de mais de três anos de investigação não indicaram que os acionistas tivessem ordenado as fraudes ou tomado conhecimento de sua execução.
A recuperação judicial das Lojas Americanas durou três anos e foi encerrada em março de 2026 após medidas para reduzir a dívida de mais de R$ 40 bilhões. A rede encolheu 23%, passando de 1,8 mil unidades em 2023 para 1,4 mil atualmente em operação.
