Economia

Justiça Federal endurece regras para precatórios após caso Master

Fachada do Banco Master, localizado na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi
Fachada do Banco Master, localizado na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

O Conselho da Justiça Federal endureceu nesta terça-feira (6) as regras para emissão de precatórios e requisições de pequeno valor. A medida foi tomada após suspeitas envolvendo créditos judiciais ligados ao liquidado Banco Master, que usava esses títulos como base de sua liquidez. O presidente do órgão, ministro Luís Felipe Salomão, determinou controles mais rígidos sobre a origem e os valores desses créditos. As informações são da Gazeta do Povo.

Precatórios são dívidas do governo reconhecidas pela Justiça e pagas com recursos públicos. A principal mudança exige que o direito ao pagamento e o valor devido estejam definidos por decisão judicial definitiva, sem possibilidade de recurso. Com isso, os títulos não poderão ser emitidos enquanto houver discussão sobre o crédito na Justiça.

A norma também proíbe o uso de bloqueios ou restrições de saque para driblar essa exigência. Fica permitida apenas a emissão referente a parcelas que não estejam sob contestação.

Ministro do STF aponta irregularidades em precatórios

Em caso recente envolvendo precatórios ligados ao setor sucroalcooleiro e ao Banco Master, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que parte relevante dos créditos problemáticos estava concentrada em processos da Justiça Federal da 1ª Região. O magistrado defendeu a apuração de possíveis irregularidades envolvendo colegas e advogados.

Segundo Gilmar Mendes, o Conselho Nacional de Justiça já havia cancelado 16 precatórios do setor sucroalcooleiro expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, determinando a devolução de R$ 4,7 bilhões aos cofres do Tesouro Nacional.

Venda de precatórios terá mais transparência

Luís Felipe Salomão também recomendou maior rigor na venda de precatórios, operação em que o credor transfere a terceiros o direito de receber o dinheiro. Entre as exigências estão transparência sobre o valor pago, informação clara ao vendedor e comprovação de que a negociação ocorreu de forma livre e consciente.

O presidente do STF e do CNJ, ministro Edson Fachin, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, apresentaram proposta para ampliar o rastreamento dos precatórios. A venda dos créditos continuará permitida, mas deverá seguir novas regras de registro e transparência.

A proposta prevê que as cessões sejam feitas por escritura pública. Também está prevista uma Central Nacional, sob controle do CNJ, que reunirá informações sobre propriedade, negociações, garantias, bloqueios, pagamentos e cancelamentos dos precatórios.

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