A Justiça do Trabalho determinou, ontem à tarde, que os metalúrgicos da Companhia Siderurgica Nacional, unidade de Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, devem voltar ao trabalho imediatamente. O sindicato da categoria, porém, mesmo estando sujeito à multa, informou ontem que pretendia apoiar a continuidade do movimento, alegando que a empresa se recusa a negociar.

Os 470 operários da CSN Araucária e da Indústria Nacional de Laminados (Inal) estão em greve há 14 dias. Ontem, a juíza Ana Carolina Zaina, da seção especializada do TRT do Paraná considerou que ?atos excessivos no exercício da greve? fez da paralisação abusiva. A magistrada determinou o retorno imediato dos empregados, sob pena de multa diária de R$ 5 mil por dia, caso a decisão seja descumprida.

A magistrada, na sua decisão, diz que os empregados agiram com violência e vandalismo em alguns momentos da greve. No dia 12 passado, os funcionários da metalúrgica fecharam a rodovia de acesso à empresa. A Vara do Trabalho de Araucária já havia determinado ao sindicato da categoria que não proibisse o ingresso dos empregados na empresa. E, por considerar que a decisão não havia sido cumprida, o Sindicato dos Metalúrgicos da Curitiba (Simec) foi multado no valor de R$ 157 mil.

A direção do sindicato afirmou que os trabalhadores querem continuar a greve e que a entidade ficou surpresa com a decisão da Justiça.

?Estávamos esperando por um acordo hoje (ontem) e ao contrário disso, recebemos essa intimação. Depois da intervenção do prefeito de Araucária na greve, a direção da CSN chegou até marcar uma reunião na Delegacia Regional do Trabalho para fecharmos um acordo. Só que o que deve ficar claro é que não é o sindicato que quer a greve, mas sim os trabalhadores. Então mesmo com essa decisão, os trabalhadores estão irredutíveis e querem continuar com a greve. O sindicato vai ficar ao lado dos funcionários, mesmo sujeito a multa?, informou o diretor do Simec, Pedro Celso Rosa.

A decisão de continuar a paralisação foi confirmada numa assembléia realizada ontem às 18h30.

A assessoria de imprensa da CSN afirmou que a empresa não irá se manifestar sobre a decisão judicial e nem sobre a continuidade da paralisação.