Foto: Arquivo/O Estado

Varig: problemas intermináveis.

O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça quer explicações da direção da Varig sobre os problemas que os clientes da companhia enfrentam desde o fim de semana. Para conseguir isso, no entanto, o DPDC teve de notificar, anteontem à noite, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que é o órgão regulador do setor aéreo. A Anac precisa ser o intermediário neste caso porque, segundo técnicos do DPDC, desde o leilão na quinta-feira passada no qual foi vendida a parte operacional da companhia para a VarigLog, há uma espécie de espaço vazio sobre as responsabilidades da empresa.

O diretor do DPDC, Ricardo Morishita, espera que sejam cobrados o presidente da Varig, Marcelo Bottini, e o gestor judicial que, por determinação da lei, ainda é o responsável pela parte da empresa que permanece sob responsabilidade da Justiça empresarial do Rio.

Morishita ressaltou que, nos últimos dias, têm sido ?flagrantes? os casos de desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor pela empresa aérea. Além dos casos relatados na imprensa, o departamento diz que também teve conhecimento de situações nas quais passageiros ligaram para o telecentro da companhia antes de se deslocarem para os aeroportos e foram informados de que os vôos estavam mantidos. Chegando ao local, no entanto, descobriram que os embarques haviam sido cancelados.

?Isso é propaganda enganosa?, afirmou Morishita. Ele frisou que ?este tipo de desrespeito? pode ter conseqüências muito ruins, não só para a nova companhia, que pretende se reerguer após o leilão, como também para a aviação comercial em geral.

Mesmo sem a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Varig continua cancelando vôos. Pelo menos 32 viagens foram suspensas ontem, no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, no Rio, e no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.